sábado, 13 de setembro de 2008

Aventura em Punta del Este - 05 a 10 de Setembro de 2008

Aventura para Punta Del Este – 05 a 10 de Setembro.

Sou motociclista novo (quero dizer recém formado). Fiz minha carteira neste ano (2008). Entre as resoluções do final de 2006 estava a de apreender a pilotar moto, tirar carteira, comprar uma moto e começar com ela a fazer grandes viagens. Espírito de aventura, que acho ter herdado de meus pais, mas esta é outra história, que contarei em outra oportunidade.

Bom. Cumpri com minhas resoluções. Em 2008, conclui meu exame para carteira, comprei uma Falcon 2004, mod. 2005, com 29.000 km e comecei a pilotar (apesar das diversas opiniões contrárias a escolha da moto, principalmente pelo seu tamanho. Ainda bem que não dei ouvidos. Sou meio obstinado e pensei "-Se sei ou apreendo a andar com uma moto pequena, tenho que poder andar com uma moto grande"). Fiz alguns tiros curtos para Nova Petrópolis, terra de minha família e comecei a visitar sites de relatos de moto-viagem. Outra de minhas paixões é a corrida de rua. Claro que ainda estou iniciando, afinal de contas, corro a somente 1 ano, participando neste período de várias provas de rua. Já estou correndo 10 km. Nestas navegadas pela internet e leituras de revistas especializadas em corridas, fiquei sabendo de uma corrida em Punta del Este.

Precisava testar um percurso com a moto mais longo, então uni as duas paixões: a moto-viagem e a corrida. Me inscrevi na corrida e programei a viagem a Punta. Testaria os equipamentos recém adquiridos (roupas de cordura, luvas, botas e o alforge Gift), além de me testar e verificar se a Adelaide (garupa) se adaptaria a este tipo de programa (acho que sim, afinal é uma grande companheira e parceira). Hoje é campista de mão cheia (aliás, outra de nossas paixões).

Tudo decidido. Agora era botar a Catarina (apelido da Falcon, involuntariamente dado pelo colega Flaubiano = Gostei e a batizei) na estrada. A saída seria dia 05 de Setembro.


05 de Setembro 08 – Primeiro dia = Porto Alegre / Cassino (330 km).

Adivinha se não estava previsto uma tremenda chuvarada e muito frio para os próximos dias. Foi assim que acordamos no dia da viagem. Uma chuvarada tremenda. Vamos? Não vamos? O que fazer? Ficaria muito frustrado, com um sentimento de derrota, se não saísse, porém a chuva estava muito forte e não dava trégua. Acordamos tarde, e o sentimento não era dos mais animadores para enfrentar o que vinha pela frente. Mas resolvemos sair. Queríamos também testar nosso equipamento, nossa persistência, força de vontade e espírito de aventura. Saímos tarde, abaixo de muita, mas muita chuva mesmo. Primeiro desafio foi a adaptação ao equipamento e sair de Porto Alegre que neste dia estava com o trânsito caótico. Segundo desafio, o movimento da BR 116 com chuva e muito movimento de caminhões. Era água para todo lado. Cada caminhão que passava em sentido contrário despeja baldes de água e vento contra nós. Mas estava motivado e animado. Já estávamos saído do lugar comum com esta façanha, para mim e Adelaide uma grande novidade. Nos 60 primeiros quilômetros já havíamos concluído que os equipamentos (roupas, luvas e botas) não eram tão infalíveis assim. As luvas, vendidas como impermeáveis (caríssimas, aliás) já estavam encharcadas, que aliadas ao frio do dia, simplesmente, congelavam as nossas mãos. As roupas, nas extremidades, mãos e pescoço úmidas que, com o efeito do vento e do frio também levavam a sensação térmica lá para os zero graus ou menos. Nossa Parada para o almoço (um lanche = café bem quente e uma torrada) foi no Paradouro Grill no município de Cristal. Adelaide, tremia muito de frio. Mas não se queixava. O café quente amenizou o frio. Fiquei preocupado, com a saúde e disposição da Adelaide. Será que agüentaria? Ali a primeira sugestão dela. Que parássemos em São Lourenço do Sul. Havíamos percorrido somente 160 quilômetros dos 750 do percurso total e já iríamos parar? Não gostei da idéia, mas não me opus. Se precisássemos parar, pararíamos. Não forçaria a barra com Adelaide, embora, quisesse e estava disposto a andar muito mais. Descansados e recuperados, pegamos novamente a estrada e adivinha se a chuva parou? Não amenizou e parece que havia se intensificado. Em toda a BR 116, muito movimento e principalmente caminhões. Cada caminhão em sentido contrário, claro, que sempre em alta velocidade, além de baldes de água jogados em nós, ocasionava na a saída do vácuo formado pela velocidade, uma tremenda pancada de vento na moto e em nós, e exigia muita atenção e firmeza para mantê-la estável. Nada absurdo, mas um descuido poderia causar um acidente. Na entrada de São Lourenço fiz sinal a Adelaide para saber se pararia ou poderia tocar até Pelotas (mais 80 km) e ela fez sinal para tocar. Beleza. Em Pelotas, mais uma vez sinal. Posso continuar? e ela fez sinal para continuar. Beleza. Em Rio Grande, parada para abastecimento e decidimos que pararíamos em Cassino, afinal já eram 17:30 e estávamos encharcados e congelados. Eu particularmente tinha vontade de tocar mais até Chuí, mas seria um exagero e percorreria uma região quase que deserta (inclui aí a reserva do Taim) por mais de 200 km. Acertada a decisão de ficar no Cassino. Paramos no nosso já conhecido Cassino Hotel. Gelados, ansiávamos um banho quente e roupas secas. Tiramos os alforjes da moto e passamos nele um chuveirinho no box do banheiro para tirar a lama e então buscar as roupas secas. Roupas Secas ???? Qual não foi a nossa surpresa ao constatar que toda a roupa estava completamente molhada. Nossas únicas mudas de roupas que deveriam estar secas estavam completamente molhadas. Nossas calças de brim pingavam água. Minha expectativa de banho quente e roupa seca foi por água abaixo, ou com o perdão do trocadilho, foi com água por tudo. Ficamos somente no banho quente e que banho gostoso. Sorte que a Adelaide ao menos colocou as cuecas e calcinhas em uma sacola plástica. Estas ao menos estavam secas junto com mais duas camisetas. Nem sair para jantar podíamos. Iniciamos a operação varal em frente ao ar condicionado. Roupa estendida, ar condicionado em 30 graus (para lembrar = na rua fazia muito frio), direcionado para a roupa. Resolvemos encomendar um pizza pelo tele-entrega. Jantamos e fomos para o berço descansarmos, porque no dia seguinte a aventura continuaria. Será que a chuva daria trégua?


06 de Setembro 08 – Cassino / Punta del Este (420 km)

Acordamos tarde (o sono estava muito bom), tomamos aquele cafezão e começamos a operação remontagem das roupas nos alforjes. Agora tomaríamos as precauções necessárias. As roupas já secas pela ação do ar-condicionado quente, foram ensacoladas em saquinhos de super-mercado. Agora eu queria ver a chuva molhar nossas roupas!!! Saímos de Cassino aproximadamente 10:10 hs e rumamos para o Chuí. Nos primeiros 50 km parecia que a chuva neste dia poderia nos dar trégua. Ledo engano. Já na reserva do Taim despencou aquela água e mais uma vez ela nos acompanhou por todo o roteiro. Chegamos em Chuí e paramos para almoçar em uma lancheria junto a um posto de combustível. Várias motos estavam paradas lá. Já na chegada um dos motoqueiros, um senhor de seus 60 e poucos anos, muito expansivo gritava: “lá vêm mais dois sofredores”. Dizia ele, que estavam vindo de Punta del Este e que lá estava gelado, no caminho muito vento e que ele estava desistindo de continuar a viagem para Santa Catarina (Blumenau e arredores), casa dos viajantes. Este pessoal estava tão ou mais molhados que nós. Aliás, nós não estávamos propriamente molhados (exceção feitas as luvas), mas com algumas partes das roupa úmidas (principalmente as extremidades). Esta umidade combinada com o vento e o frio que dava a desagradável baixa sensação térmica. Terminado o almoço, dois gostosos ala-minutas, seguimos viagem. Mais 230 km até o nosso destino. Providenciado os poucos trâmites burocráticos na Emigração Uruguaia, seguimos viagem parando somente em Punta-del-Este na sua Placa de “Bienvenidos”, na entrada da cidade. A Adelaide estava, acho que em estado de pré-hipotermia, pelo frio. Principalmente suas mãos estavam geladas. A luva molhada armazenava água que gelou. Seus dedos estavam inchados. Tremia muito. Tiramos a foto e fomos procurar o hotel . O Trecho de Chuí, até Punta, embora monótono é muito bonito (apesar da chuva) e a estrada era praticamente só nossa, realidade já existente a partir de Rio Grande no trecho entre esta cidade e Chuí. Ficará para uma próxima a exploração das praias do litoral Uruguaio e do parque de Santa Tereza. Em Punta, após encontrarmos o Hotel Bone Etoile (muito bom hotel, com excelente atendimento e instalações e não sei se pelo período (entre-safra do veraneio) com ótimo preço (U$ 60,00 o casal)), fomos providenciar o pagamento da inscrição da corrida e retirada do chip. Compramos ingressos para a massa (pasta) servida para os corredores e voltamos ao hotel. Finalmente um banho quente. Já na entrada do hotel o diferencial da calefação, que nos dava uma ótima sensação, após mais um dia de muito frio. Após o banho procuramos o local para o jantar de massa. Não estava lá estas coisas, mas valeu viver a integração com outros atletas. Jantados resolvemos voltar para o hotel para finalmente o merecido descanso. Ao sairmos do clube, puxei a chave para abrir o cadeado da corrente e o susto. Cadê a chave do cadeado? Só me faltava esta. Como abrir o cadeado sem a chave. Procura aqui, procura ali nos bolsos e nada. Perdi a Chave do cadeado da moto. Só me faltava esta... O que fazer? Onde eu fui perder este troço? Voltei para o salão do clube no local onde sentamos e já haviam inclusive arredado as cadeiras e mesa, onde estávamos sentados. A bendita chave estava, pequenina aliás, embaixo de um dos pés da mesa. Que sorte. Partimos para o Hotel e mais um banho quente e aquela tão aguardada cama confortável e com cobertores ótimos. Fomos descansar, pois no dia seguinte as 8:20 da manhã correria os 8 km. Será que a chuva pararia? Até agora não havia dado trégua ainda.


07 de Setembro 08 – Dia da corrida e passeio em Punta.

Acordamos cedo e nos deslocamos para o local da corrida. Lá chegando os primeiros atrapalhos. Onde colocar as roupas de cordura, o capacete e as botas? Ali conclui que o Bauleto, ainda não comprado fazia e faz muita falta. Sobrou para a Adelaide, segurar todo o material e ainda tirar as fotos, afinal, teríamos que registrar este momento da corrida (minha primeira corrida internacional). Aqueci e me posicionei na largada. E a chuva? Continuava dando o ar de sua graça. Dada a largada, fui em ritmo bom. Terminei em torno de 40 minutos os 8 km, com um pace de 5,19 km/h, bom resultado para o meu atual estágio de desenvolvimento na corrida. Fiquei na posição 72 geral, de 167 participantes. Muitos brasileiros e gaúchos participando dos 8 k e da maratona. Terminado a corrida, fui em busca do meu troféu: um beijo da Adelaide e a medalha de participação. De lá voltamos para o Hotel, tomamos aquele banho e fomos tomar o café, já 10:00 hs da manhã. O café muito bom, porém sentimos falta das frutas, tão comum nos hotéis brasileiros. Após o café. uma caminhada pelo centro. A chuva finalmente dava sinais de querer amansar. Fomos buscar informações do city tur e decidimos que faríamos o city tur de moto. Economizaríamos R$ 80,00 (Três abastecidas, ou melhor combustível para todo os 750 km do retorno). Retornamos após esta caminhada ao hotel para um breve cochilo, precisávamos descansar antes do passeio que faríamos a tarde (lá pelas 14:00 hs). Merecido descanso, acordamos e fomos conhecer Punta de moto. Fizemos o mesmo roteiro do city tur. Visitamos o bairro Beverly Hills, com suas casas cinematográficas. Após fomos até a barra, local de entrada em Punta de quem vêm do norte (onde entramos e fotografamos no dia anterior). Agora para tirar uma foto na ponte ondulada. Muito bacana. Nesta função de buscar a melhor pose uma quase vídeo cassetada. Quase, porque faltou a filmadora, pois o tombo aconteceu. Fui atravessar a avenida para buscar a melhor posição de fotografia e tropiquei até me esborrachar no chão. Assim como caí levantei (esta é uma habilidade que venho desenvolvendo com o passar dos anos = cair rápido e levantar mais rápido ainda). Fizemos as fotos e nos mandamos para a Casa Pueblo, nossa última parada. A casa Pueblo é uma casa em estilo mediterrâneo (parecido com aquelas construções gregas) que até hoje ainda está em construção. Seu proprietário e construtor é o poeta e artista plástico Carlos Paez Villaró http://www.carlospaezvilaro.com/, pai de um dos sobreviventes do acidente dos Andes, com o avião Farchild. Além de interessantíssima a casa, que serve de hotel e de espaço para as exposição dos trabalhos do artista, têm um café em que comemos um maravilhoso croissant com um chocolate quente. Como não tínhamos almoçado em função do café tardio, aquele croissant serviu como um belo almoço. Esperamos então o pôr-do-sol que é acompanhado pela declamação nas caixas de som da casa de um poema declamado e gravado pelo artista. Simplesmente um momento único e fantástico. O poema é sincronizado com o por do sol. Realmente um culto a vida, ao sol, a natureza, ao que realmente importa. Valeu a pena. Dali fomos para o hotel. Mais uma caminhada pelo centro e noite de Punta e resolvemos dormir, afinal, amanhã era o dia do grande retorno. Pretendia sair cedo, no máximo 8:00 hs e chegar em POA, lá pelas 19:00 hs. 750 km nos separavam de Porto Alegre. Só que agora a viagem seria com tempo bom.


08 de Setembro 08 – O Retorno (ou a tentativa de retorno) – 350 km.

Acordamos cedo, já havíamos deixado tudo mais ou menos encaminhado na noite anterior. Tomamos o café, acertamos a conta do hotel (U$ 120,00 duas diárias) e pé na estrada. Seguimos pelo litoral, até o balneário José Ignácio. Dali para continuar, teríamos que pegar uma balsa. Resolvemos retornar para Ruta 09 e seguir viagem. Gostaríamos de parar e dar uma olhada no parque Santa Tereza, com seu Forte de Pedra já secular. Rápida circulada no parque, infelizmente pelo pouco tempo e por estar fechado, não visitamos o seu interior. Fica para uma próxima. Seguimos viagem até Chuí. Almoço no mesmo local da vinda, aquele reforçado Ala-minuta. Abastecidos, nós e a Catarina, continuamos na segunda etapa da viagem, enfrentando a RS 471, que separa Chui de Rio Grande passando pela reserva do Taim. Uma parada para esticada no banhado do Taim, simplesmente maravilhoso. Vale a pena um retorno com uma olhada mais atenta e com tempo (Vou programar um final de semana em Rio Grande para ir até o Taim, mas até lá quero já ter comprado uma boa máquina fotográfica. Lá é um show de imagens, uma explosão de vida e natureza). Seguindo viagem, já quase na localidade de Quinta em Rio Grande o conta-giros simplesmente deixou de marcar. Opa, o que é isto? Como não sou muito experiente nem imaginava o que poderia ser. Na localidade da Quinta, parei para abastecer. Catarina abastecida dei partida e nada. A moto estava simplesmente sem bateria. Era só o que me faltava... Mas a adversidade faz parte de quem quer se aventurar por este mundo a fora. Se esta era a nossa decisão (fazer muitas viagens de moto), deveríamos começar a nos acostumar com situações inesperadas. O Frentista ajudou a empurrar a moto que pegou no tranco. Adelaide montou e liguei o pisca. Adivinha?: morreu novamente. Para nossa sorte, a uns 50 metros do posto imediatamente nos foi indicado uma mecânica de moto. Lá nos deparamos com uma gurizada, que se mostrou super solícita. Oficina Casa do motoqueiro, um importante ponto para os motociclistas que se aventuram para o sul do continente e passam por ali. Fizeram de tudo. Bastante atrapalhados, mas com boa vontade. Fizeram o que puderam. O Jefferson e o Valério, os donos da oficina, se esforçaram. Embora o diagnóstico inicial tenha sido equivocado, fazendo que com perdêssemos quase 3 horas desnecessárias. Acharam que o problema era o retificador da bateria. O custo: R$ 586,00. Após o Jefferson (de Bizz) ir até Rio Grande, perder um tempão, mediu os plugs da parte elétrica novamente com o multímetro e concluiu que o problema não era nesta peça. Sorte minha. Escapei de gastar o valor. Logo ele concluiu que o que estava com problema era o retificador. Um novo: R$ 285,00, porém este não tinha pronta entrega. Com a demora, a bateria pôde ser carregada para podermos ir até Pelotas. Só que agora já era noite. E o movimento? E os caminhões? Será que a moto agüentaria chegar em Pelotas? Ela não recarregava a bateria e a necessidade de ir com os faróis ligados consumiria mais carga do que a capacidade de carregar (afinal, o retificador estava queimado). Finalmente, quase 20:00 hs da noite ou mais (lembrem que parei no posto as 14:45 hs), pegamos esta estrada perigosíssima que separava Rio Grande de Pelotas. Trinta e cinco quilômetros dos mais absoluto stress. Caminhões e caminhões carregados de contêiners, imprimindo velocidades enormes, não querendo saber se você está de moto, ou sei lá o que. Não foi fácil. Faltando alguns quilômetros para chegar em Pelotas e Adivinhem... ? Naquela escuridão, naquele perigo, no meio do nada, com a Adelaide na garupa, caminhão encostando na traseira da moto, o conta giros morre novamente (igual a tarde antes de chegarmos a Quinta). Logo em seguida o farol começa a diminuir ficando a iluminação talvez menor do que a emanada por uma chama de vela. Eu começei a conversar com a moto, implorando para que ela chegasse em Pelotas. Conversando não: gritando, empurrando com o pensamento e com os gritos: VAI, VAI, VAI. NÃO PARA, NÃO PARA. VAI, VAI, VAI. Stress total e os caminhões não querendo saber. Se pudessem passavam por cima, sem dó, nem piedade. Cheguei na ponte que atravessa o canal São Gonçalo, um dos pontos que tinha programado parar com a finalidade de apreciar a vista, (Evidentemente que na situação normal de viagem e durante o dia). Esta ponte em formato de um grande arco é muito linda e está ao lado da ponte velha, que possui o mesmo desenho mas está interditada. Iria subir na interditada e pararia a moto no seu topo para apreciar a vista. Agora naquela situação o que mais eu temia era justamente a moto morrer na subida da ponte, uma grande ladeira em função de seu formato. Chego finalmente na ponte, começo a subir a ponte, Aí, ai, ai, será que consigo ????? Força, não para, vai, não para. Consegui, consegui, viva (ufa, mais um obstáculo vencido). Passei a ponte e cheguei no posto de gasolina na entrada de Pelotas. O que fazer agora, sem farol, com a moto pronta para apagar? Busquei o telefone do mecânico indicado pelos guris da Quinta e cadê minha carteira. Bateu, agora sim o desespero. Será que esqueci em Rio Grande (dinheiro, cartões, documentos). Procura em tudo que é bolso, até rasguei com a ansiedade o bolso do foro da jaqueta (PQP%$@*#*/#$$%***...). Estava na cintura da calça, graças a Deus. Pela ansiedade, não atinei. Liguei para o tal mecânico, que dava aula em uma escola técnica aquela hora e não podia ajudar (aliás, pouco preocupado com a nossa situação = nem posso condená-lo = não nos conhecia e estava com compromisso = eu é que necessitava desesperadamente de ajuda = na hora fiquei com raiva do (por mim injustamente julgado) pouco caso). Pensei em deixar a moto no posto e voltar no dia seguinte para providenciar a ida até a autorizada, mas não me agradou o fato de deixar a moto sozinha com desconhecidos. Não admiti esta possibilidade. Consegui ligar a moto novamente, pedi explicação de como chegar em algum hotel. A sugestão foi o Hotel Curi (já havíamos pousado lá), mas como chegar sem luz, sem conhecer o caminho, com a moto naquele estado??? Sai e na primeia conversão que deveria fazer a esquerda, ligo o pisca e pronto, novamente a moto apagou. Em questão de 300 metros, fiquei empenhado no segundo posto. Agora sim para pegar teria que empurrá-la. Mas como conduzir a moto no centro sem luz? Neste meio tempo o rapaz do posto anterior, cruzou e nos viu parado. Se ofereceu para nos conduzir até o hotel. Legal, embora desconfiado, sempre com o pé atrás me perguntava: Nos levaria até o hotel? Não teria segundas intenções? Era muito solícito para ser verdade. Porque tanto interesse em ajudar? Enfim seguimos sem luz pelas ruas de Pelotas, guiados pelo rapaz (também de moto). Em determinada altura em uma rua escura atende o celular. Ai, ai, ai... o que poderia ser esta ligação? Estaria chamando os comparsas? Até que enfim chegamos ao Hotel Curi. O rapaz, já ia se despedindo quando perguntei: - qual o teu nome? - Daniel, responde ele. Realmente, são estas pessoas que podemos chamar de anjos. Certamente nunca mais veremos ou falaremos com o Daniel, e certamente, jamais ele saberá o quanto ele foi importante naquele momento para um casal perdido e com uma série de adversidades nas ruas de Pelotas. Realmente o Daniel foi determinante e importantíssimo. Que Deus lhe pague em dobro e que ele seja sempre muito feliz, e que eu não seja na próxima vez tão desconfiado e preconceituoso. Mas acho que mereço o perdão, ainda mais após tudo que passei. Check-in feito no hotel, fomos para o quarto. Muito ruim, mas aquela altura do campeonato era ouro. Tomamos um bom de um banho, e saímos para jantar. Depois de tanto stress, resolvi que eu e Adelaide merecíamos um bom jantar. Comemos um saboroso prato de massas em um restaurante em frente ao hotel, pizzaria Mama Mia, acompanhados por uma Brahma Extra bem geladinha para finalmente relaxar. Esta também foi ouro. Recolhidos mais uma vez ao hotel, era hora de dormir. O dia seguinte prometia. Teríamos que dar um jeito na Catarina.


09 de Setembro 08 – Primeiro dia em Pelotas

Acordamos, tomamos café e fui procurar as revendas/oficinas autorizadas da Honda, ou a sugestão de mecânico dada pelos rapazes da quinta. Resolvi chamar a autorizada, que em seguida chegou com a camionete, colocou a Catarina em cima e foi até a oficina. Esta oficina ficava a duas quadras do Hotel. Seguimos eu e Adelaide a pé até ela. Conversa vai conversa vêm, os mecânicos e funcionários com as outras prioridades e tarefas. Eu querendo resolver logo, ansioso para seguir viagem. Lembrando que já deveria estar em POA, me preparando para um evento da empresa que iniciaria a tarde. Finalmente, consegui convencer o pessoal da Honda o quanto era importante resolvermos logo a situação para que eu pudesse me organizar (quantos dias ficaria em Pelotas? = era só isto que precisava saber). Após este meu apelo começaram então a agilizar. Retirada finalmente a bobina que foi levada para rebobinar a tarde em um senhor que já fazia este serviço para a oficina (custou R$ 80,00). No final do dia a Catarina ficou pronta, mas o pessoal achou que o retificador estava esquentando muito (aquele dos R$ 586,00, que me atrasou por mais de 3 horas). (PQP@3@*%%%$@@@*...). Queria sair cedo no dia seguinte, mas infelizmente teríamos que averiguar isto também. Durante o dia, nos intervalos desta função dormimos, olhamos TV e passeamos pelo centro de Pelotas (acho que fui para a oficina umas 10 vezes neste dia). Deixei a moto lá para voltar no dia seguinte.


10 de Setembro 08 – Segundo dia em Pelotas e finalmente o retorno – 320 km.

Finalmente a moto fica pronta. O aquecimento do retificador era alarme falso ou falta de experiência do mecânico. Ele esquenta sim, mas em movimento refrigera com o ar do deslocamento da moto. Saímos perto das 11:00 hs da manhã e pé na tábua. Já era mais do que hora de chegarmos em casa (dois dias de atraso). A viagem seguiu tranqüila, até Porto Alegre, onde chegamos as 14:45 hs, após 1.600 km.

Ao chegarmos, pensei o quanto a Adelaide foi parceira nesta aventura. Cheguei no estacionamento do nosso condomínio, desliguei a moto, saltamos, tiramos o capacete e emocionado perguntei a Adelaide:

- Fez boa viagem?

E logo em seguida, dei um abraço e um beijo e disse:

- Muito obrigado pela parceria.

Ainda no pátio as primeiras gotas de chuva, da tempestade que assolaria o Rio Grande do Sul e causaria muitos estragos entre eles um pequeno tornado ou micro explosão, fenômeno climático que lançou carros e caminhões para fora da estrada no município de Tabaí junto a RS 386, além de causar enormes estragos em Nova Petrópolis e vários outros municípios do estado. Por pouco não pegamos esta tormenta no caminho.

Estávamos, apesar das dificuldades e adversidades da viagem, felizes, eufóricos e já planejando outras aventuras.


P.S: Lá na Casa do Motoqueiro na localidade da Quinta (Rio Grande), conhecemos o João Serra, grande figura, que nos disse que também estava programando uma viagem para Ushuaia e já havia feito muitas outras grandes viagens com sua esposa. Seu blog: http://www.joaoserra.blogspot.com/ Trocamos e.mail e assim que cheguei em POA me comuniquei com ele. Conhecemos um novo amigo. Isto também é ouro.

3 comentários:

  1. Amigo Link!
    Não poderia deixar de te cumprimentar pela viagem e pelo blog. É muito bom saber que tenho mais um amigo e melhor ainda com algo tão bom e incomum: o motociclismo.
    Claro que o Daniel irá te perdoar sim e com o passar dos quilômetros verás que esse é o diferencial do motociclismo. Quando andamos de moto nunca estamos só, por esta razão não somos mais um na estrada, somos sim, um motociclista, um viajante até mesmo para muitos um aventureiro, realizando sonhos que a maioria das pessoas chegam a sonhar, mas, sempre (não sei por qual razão) acham que não estão habilitadas para realizar.
    Link mais uma vez meus cumprimentos pelo blog.
    João Serra

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