domingo, 16 de novembro de 2008

Reino da Araucânia e Patagônia III - "O Herdeiro"

Príncipe Philippe d'Araucanie em 1996, junto ao busto de Orelie-Antoine no Museu de Perigord.

Numa tarde garoenta de novembro, Sua alteza Real, o príncipe Philippe de Araucânia e Patagônia, me concedeu uma audiência em sua empresa de relações públicas no Faubourg Poissonnière. Para chegar lá, tive de passar pelo jornal marxista L`Humanité, por um cinema que exibia Pinóquio e por uma loja que vendia pele de raposa e de gambá pela causa da Patagônia. Também se encontrava presente o historiador da corte, jovem argentino corpulento de ascendência francesa, com botões reais no blazer.

O príncipe era baixote, usava um terno de tweed marron e chupava um cachimbo de urze-branca, encurvado, que descia à altura do seu peito. Acabara de voltar de uma viagem de negócios a Berlim Oriental, e acenou desdenhosamente com uma cópia do Pravda. Mostrou-me um volumoso manuscrito à espera de um editor; uma foto de dois cidadãos araucanos segurando sua bandeira tricolor, a “azul, branca e verde”; uma ordem da corte concebendo a monsieur Philippe Boiry a permissão de usar o título real num passaporte francês; uma carta do cônsul de El Salvador em Houston reconhecendo-o como chefe de Estado no exílio; e sua correspondência com os presidentes Perón e Eisenhover (a quem condecorou) e com o príncipe Montezuma, pretendente ao trono asteca.

Quando me despedi, ele me deu cópias dos Cadernos de altos estudos araucanos, contendo um deles um ensaio do conde Leon M. de Moulin-Peuillet intitulado “A sucessão real Araucânia e a Ordem de Mênfis e Misraim (rito egípcio)”.

“Toda vez que tento algo”, disse o príncipe, “ganho um pouco”.

Trecho extraído do Livro: “Na Patagônia” de Bruce Chatwin.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pela sua participação e opinião.