domingo, 29 de novembro de 2009

Livros adquiridos na 55° Feira do Livro de POA

A feira do livro terminou. Aproveitamos para renovar nosso acervo. A Adelaide enloquece, pois eu sou meio descontrolado (consumista mesmo) quando se trata de livros e portanto acabo estrapolando o orçamento. Adquirimos as seguintes obras:

1 - Na Garupa de um motociclista... Até o fim do mundo, de Antonela Siqueira Catania: Livro, já comentado neste blog. Trata-se das impressões da garupa em uma viagem do casal até o extremo sul de nosso continente a bordo de V-Strom 1000. Livro sensível e com uma visão diferente: o da garupa.

2 - Vietnã Pós-Guerra, de Airton Ortiz: Livro, também já comentado neste blog, que descreve a viagem deste reporter, durante quase 60 dias pelo sudoeste Asiático, onde visitou o Camboja, a Tailândia, Laos e o Vietnã.

3 - Terra Sem Fronteiras: Do Sul do Brasil ao Alasca, de Joyce e Cláudio Guimarães: O relato, amplamente ilustrado com belíssimas fotografias da viagem do casal de Jaraguá do Sul, Santa Catarina a Prundhoe Bay no Alasca a bordo de um Land Rover Defender 90.

4 - Challenging your Dreams, uma aventura pelo mundo, de Grace Downey e Robert Ager: Um belíssimo livro que relata a viagem de 3 anos ao redor do mundo a bordo de uma Land Rover Defender 110.

5 - A volta ao mundo em 80 dias, de Julio Verne: Ficcionista francês que instiga a mente de quem tem no sangue a aventura. Autor também de viagem ao centro da terra e vinte mil léguas submarinas.

6 - Viajante Solitário, de Jack Kerouac: textos autobiográficos do autor, que nos conta de suas viagens pelo mundo. O autor também é famoso pelo livro On the road.

7 - 50 Maratonas em 50 dias, segredos que aprendi correndo, de Dean Karnazes: Ultramaratonista, referência no mundo das corridas, que relata seu último grande desafios: correr 50 maratonas em 50 dias consecutivos = um maluco. Já li seu livro anterior: o Ultramaratonista e recomendo. Lições de superação.

8 - Paisagens perdidas, de Jayme Caetano Braun: Poesias e prosas de um dos mais famosos pajaeadores do Rio Grande.

9 - Lendas Gáuchas, da RBS produções: 35 histórias com origem no imaginário popular rio-grandense.

10 - Guia do Peru, publicado pela Folha de São Paulo: Guia visual, muito bem ilustrado sobre o Peru.

11 - Guia da Bolívia, da Rough Guide, traduzido pela Publifolha: Um dos poucos guias encontrados no mercado sobre a Bolívia.

Enfim, muitos livros, muitas histórias inspiradoras. Vocês podem notar pelas obras adquiridas onde buscamos inspiração para nossas viagens e também já damos algumas pistas do que um dia pretendemos fazer...

Quando denominamos nosso blog de Álvaro e Adelaide mundo afora, estamos dizendo que viajamos também pelo mundo através dos olhares e impressões de outras pessoas que nos brindam com seus relatos. Mundo afora também é viajar através dos livros.

Equipamentos do Manivela

Na foto: Eu e Manivela (gente finíssima este Manivela)

Estamos passando por uma fase alucinada de trabalho, o que está me impedindo de atualizar com mais freqüência o nosso blog. Logo estaremos lançando por aqui o projeto de nossa próxima viagem. Por enquanto preparativos. Começamos o planejamento tarde e por isto alguns acumulos de tarefas. Escolha de roteiro, relação de equipamentos, organização dos aspectos burocráticos, enfim... Esta parte também é tão boa quanto a viagem propriamente dita. Escreverei mais a respeito em futuros posts.

Entre as tarefas de planejamento está o equipamento. No final de semana passado fui para Pelotas equipar a moto com as invenções do Manivela. Instalei os seguintes equipamentos:

1 - Suporte Side Case Falcon: Suporte para acoplamento de bauletos laterais da GIVI. Com ele posso acoplar um baú lateral E21 (21 litros) ou um E41 (41 litros). A idéia  é buscar um E21 pois o E41 é muito grande, diria que para a Falcon, exageradamente grande, além do preço proibitivo. O E21 é o mesmo tamanho dos atuais alforjes que nos acompanharam para Ushuaia. Vocês devem estar se perguntando porque da substituição? É que em uma longa viagem ao meu ver, é fundamental a praticidade de carregamento da moto. Em uma viagem de moto já existe a parafernália de equipamentos e roupas especiais que nos tiram a mobilidade. Quanto mais prático for a montagem da bagagem, melhor a moral da equipe. E os baús laterais trazem isto. Basta um clique e os volumes estão acoplados. Sem falar da vedação e impermeabilidade. O alforje é um bom equipamento, mas para no máximo viagens de poucos dias. Umas das coisas a que me propus no decorrer da viagem ao Fim do Mundo (itens a serem melhorados) era a de instalar na Catarina suportes para baús laterais. Faltam agora os baús. O Suporte criado pelo Manivela é de uma qualidade excepcional.


2 - Cavalete Bi-lateral Falcon: Criado também pelo prof. Pardal do Motociclismo (Manivela), substitui o pezinho original, serve para apoiar a moto e ergue-la, pois transforma-se em um cavalete, deixando ao acioná-lo os pneus da moto erguidos. De uma utilidade tremenda em viagens, pois permite com facilidade a lubrificação da correia, e em caso de reparos como conserto do pneu o seu fácil manuseio. Certamente se o tivesse na Patagônia não teria por mais de uma vez, visto a moto cair com a força dos ventos Patagônicos. Recomendo para os Falqueiros o uso do cavalete. Dêem uma olhada no vídeo que demonstra a instalação do equipamento:


3 - Suporte pedaleira para Falcon: Em longas viagens em velocidade de cruzeiro é super útil um suporte para mudarmos eventualmente a posição das pernas. Auxilia em muito na circulação sanguinea e no conforto do piloto.

Enfim, para quem não conhece o Manivela e seus produtos, especialmente a sua exclusiva e patenteada criação, o cavalete bi-lateral, confira o site da empresa. Seus equipamentos são de Motociclista para motociclista, pois além de tudo ele é Motoviajante.

sábado, 14 de novembro de 2009

Mineiro completa viagem dos EUA ao Brasil de Motocicleta

Sem GPS, Jorge Lauriano atingiu o objetivo e já planeja futuras aventuras.
Uma motocicleta, uma barraca e um mapa. Estes foram os companheiros do mineiro Jorge Lauriano durante a longa jornada que iniciou em Ohio e acabou em Ipatinga (MG). Acostumado a aventuras, ele agora planeja ir para o Alaska. De motocicleta, obviamente.
Segundo o News Herald, ninguém acreditava do que Jorge Lauriano seria capaz. Mas o proprietário do Luchita’s Restaurant, localizado na cidade de Mentor, provou justamente o contrário. Com a Kawasaki KLR650 de cor vermelha pronta no dia 8 de junho último, começava o grande desafio do brasileiro.
Morador da área de Cleveland desde 1998, Lauriano veio aos Estados Unidos para dar maiores oportunidades à família. Amante confesso de tudo o que é mais difícil, Lauriano não se deixou abater. Em 2005, caminhou 200 milhas no famoso Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Desta vez, as pernas foram substituídas pela ‘motoca’.
“Um carro é fácil. Que tal uma moto?”, perguntou ele, sem medo de enfrentar o desconhecido. A coragem foi tanta que Lauriano nem quis se valer de um GPS ou de um simples telefone celular. Para o aventureiro de carteirinha, bastaram os bons e velhos mapas.
Início da viagem: foi dada a partida de Mentor rumo a Laredo, no Texas. A cidade é usada como destino de muitos imigrantes que fazem a perigosa travessia do deserto do México. Sem ter mais terra firme no Panamá para desbravar estradas, Lauriano teve um atraso inesperado de cinco dias no país, enquanto procurava por uma linha aérea confiável para seguir com a moto até a América do Sul. Não deixou de ser um susto. Afinal, um fim prematuro para a aventura não era o que o mineiro esperava.
Depois de descer do avião, Lauriano se deparou com outro obstáculo: precisou pagar propina para desonestos agentes das fronteiras, os quais colocavam empecilhos para que ele seguisse viagem. Totalmente contra o método, Lauriano não viu outra alternativa a não ser o pagamento de $5 ou $10 para não ter que aguardar longas horas.
Pronto para outra:
Preocupado com a própria segurança e da Kawasaki, dormiu em hotéis. “Sem minha moto, não tem viagem”. Apesar de estar rondado pelo perigo, Lauriano não deixou de aproveitar tudo o que pôde quando passou pela Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Costa Rica. Evitou de propósito as grandes cidades e pegou carona pelas trilhas de pequenos vilarejos. “Gostei das características locais e é mais seguro”.
Na chegada à Ipatinga natal, muitos risos numa alegre reunião de família. As lágrimas de felicidade de Lauriano contrastaram com o precioso momento. “Chorei muito. Não conseguia acreditar. Às vezes não consigo acreditar”. São e salvo, sem acidentes ou ameaças à própria vida, Lauriano rodou cerca de 11 mil milhas divididas em 12 horas por dia de viagem. Para isso, pagou um total de $900 de gasolina. 
A funcionária e também amiga Gleicy McFeely relembra o quanto a esposa de Lauriano, Imaculada, ficou apreensiva com a falta de notícias durante alguns dias. “A falta de informação nos deixou loucas, mas sabíamos que era o sonho de Jorge, e que tudo iria bem. ... Quando ele voltou, a face dele se iluminava cada vez que falava da viagem”, disse Geicy.
Mal terminou a aventura e Lauriano já pensa na próxima. Pretende no futuro ir ao Alaska, e novamente ao Brasil. Sempre de moto. O maior desejo, segundo ele, é que estas viagens sirvam de inspiração para os outros. “Às vezes você senta numa cadeira e diz que os outros podem fazer, mas eu não – mas eles podem. Sempre há problemas que você precisa enfrentar. Você não pode se deixar abater por eles”.

Fonte: Extraído do site Comunidade News

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Rafting - Desafios da Natureza

Na semana passada divulguei que estariamos participando dos Desafios da Natureza, através da descida das corredeiras do Rio Paranhana, de Rafting. Pois bem: Selecionei algumas fotos para mostrar um pouco da programação, que para mim foi muito diferente. A adversidade exatamente não foi a descida do rio, que como já havia mencionado no post anterior é de nível leve a moderado. A adversidade ficou por conta da chuva. Choveu muito e vencer a preguiça e se desvincilhar do conforto do lar para enfrentar muita chuva, frio, lama e água, descendo o rio a noite é que foi dureza. Mas, vencido o adversário preguiça, estando lá, não nos arrependemos, muito antes pelo contrário, foi ótimo. Nos divertimos bastante. Ano que vêm se Deus quiser estarei lá novamente.
Para saber mais sobre a cidade de Três Coroas (onde fica o Parque das Laranjeiras, como faço para fazer um rafting, como chego no templo budista, e outras informações), leia o post do blog Coisas da Ane, que coincidentemente fala de suas andanças por lá e nos alcança muitas dicas e orientações para quem quiser conhecer a região.

Da série: O Idiotismo - Descriminação com Motociclista

Lendo o Jornal do Comércio de hoje (09/11/09) me deparei com um fato, relatado por um leitor deste jornal que pode ser classificado na categoria imbecilismo ou idiotismo. Pois vejam os senhores que o repórter e relações públicas Maurício Castro Pinzkoski foi, por força de seu ofício, cobrir um evento na Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Ocorre que o Maurício é também motociclista e faz o seus deslocamentos de motocicleta. Ao chegar a Assembléia, no estacionamento destinado a imprensa, foi barrado pelo segurança com a justificativa de que o estacionamento somente era destinado a carros. Vejam só os senhores(as): é ou não uma idiotice, um preconceito, uma burrice???

A notícia vem da própria mão de Maurício que relata o fato na página 4 do Jornal do Comércio na coluna palavra do leitor, que transcrevo na íntegra:

Imprensa sem moto

Por que discriminar assessores de imprensa com carros daqueles com moto? Sou assessor de duas respeitáveis instituições gaúchas. Na quinta-feira, dia 5/11/09, uma delas promoveu um evento na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Como imprensa, tenho acesso a alguns lugares e em especial aos estacionamentos. Para minha surpresa, nessa ocasião, fui estacionar  minha moto e aí surgiu a discriminação (antes fiquei do lado de fora sendo agraciado pela chuva). "Não há vagas para motos da imprensa nesse local". impõe o segurança. Então volto a questionar: a imprensa de carro pode? De moto, não? Está mais do que na hora de conceitos serem revistos e modificados positivamente. A intenção aqui é alertar para esse descaso com meios (motos ou não) que servem para comunicar ao povo. (Mauricio Castro Pinzkoski, relações públicas - mauricio@age-comunicacao.com)

Com a palavra a nossa AMO/RS (Associação dos Motociclistas do RGS), que sem dúvida deve e certamente fará, um ofício a Assembléia Legislativa do estado questionando sobre este flagrante desrespeito aos motociclistas.

Valeu Mauricio por não se calar frente a esta arbitrariedade. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Transoceânica - Relato de Cícero Paes - Parte Final

Passado esse susto, procuramos nos alimentar precariamente e se acomodar na pousada, cujo preço era estipulado pela quantidade de camas existentes no quarto. Considerando que haviam 4 no mesmo quarto, necessitamos pagar por todas, caso contrário teríamos que dividir o mesmo espaço com mais dois nativos que insistiam em utilizar as camas adicionais. O que para nós parecia um absurdo, para eles era algo normal, afinal, estávamos “noutro mundo”.

Talvez devido a altitude, minha mulher não passou bem à noite, o que motivou-nos a contratar o mesmo furgão para nos transportar com moto e tudo nos últimos 80 quilômetros de estradas precárias que faltavam para chegar ao tão esperado asfalto que leva a Cusco. Assim fizemos esse trajeto, apesar da moto mal caber no furgão, apreciando a bela paisagem que liga Ocongate a Urcos, enquanto comíamos as últimas bolachas.

Trata-se de um trajeto de grandes altitudes e, logo de saída, numa curva acentuada, avistamos um caminhão tombado, com uma vítima fatal que ainda se achava no local. Fiquei pensando nos lugares extremamente perigosos por onde passamos, chegando a conclusão de que nada acontece na véspera, apenas no dia predestinado.

Seguimos adiante por uma estrada tão péssima quanto aquelas que já havíamos percorrido, porém apreciando belos picos nevados ao longo do horizonte, lhamas, nativos andinos com seus trajes típicos multicoloridos e pequenos “pueblos” com casas erguidas à base de uma espécie de tijolo de barro. Pudemos perceber que os nativos dessa região vivem basicamente com os recursos da terra, pois quase nada é industrializado, inclusive o material de construção de suas habitações.

De uma altitude aproximada de 4.000 metros, avistamos a cidade de Urcos, e iniciamos um longo trecho em declive serpenteando a montanha, até chegar ao excelente asfalto que leva até Cusco.

Desembarcamos a moto do furgão, abastecemos e iniciamos o percurso em asfalto, coisa que, agora sim, valorizávamos como nunca. Cheguei de fato a conclusão de que meu negócio é asfalto, e ainda mais convicto de que moto combina mesmo é com boas estradas, sol e calor e não com estradas ruins, chuva e frio. (...)

E a viagem do Cícero acompanhado de sua esposa e garupa seguiu, e eles alcançaram os seus objetivos (Machu Picho, Titicaca e Atacama) que hoje estão registrados no livro Saindo do lugar comum.  Agradecemos ao Cícero que nos brindou com esta emocionante história.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Desafios da Natureza - Três Coroas

Bom gente. Este final de semana (6,7 e 8 de Novembro) a aventura e a adrenalina estão garantidas, pois estarei participando dos "Desafios da Natureza", um evento que tem por objetivo integrar esporte, homem e natureza. O desafio será realizado no Parque das Laranjeiras na cidade gaúcha de Três Coroas.

Os esportes que estarão em disputa são:

- Rafting (Sprint e descida);
- Canoagem (Slalom e Rodeio);
- Mountain Bike (Trip Trail, Downhill e Four Cross);
- Corrida de Aventra.

E adivinhem em que modalidade eu fui me inscrever ???? Certamente em um daqueles lapsos de juízo perfeito, que eventualmente somos acometidos, fui aceitar participar do rafting. E tem mais: O Rafting será feito em duas provas, uma normal, durante o dia e outra noturna. Vai saber onde é que eu estava com a cabeça quando aceitei participar...!!!????

Brincadeiras a parte, será tranquilo. Já desci as corredeiras do Paranhana que apresentam um nível moderado para leve de dificuldade, portanto será a maior curtição.

Estarei participando de uma das equipes da Academia Energia Vital da cidade de Taquara, liderados pela Raquel e pelo Guilherme, casal proprietário da Academia e seres humanos especiais = gente do bem.

Na próxima semana postaremos as fotos do evento.

Transoceânica - Relato de Cícero Paes - Parte 4

Iniciamos o 11º dia da viagem, partindo cedo de Quincemil e, logo, levamos mais um pequeno tombo. As condições da estrada pioravam cada vez mais, com muita lama, grandes pedras redondas e grandes valas, não permitindo velocidade acima de 20 km/h.
A estrada começava a serpentear belas encostas, iniciando a subida da Cordilheira, a qual não podíamos apreciar muito bem, pois a atenção com a estrada era prioritária.
Até então levávamos o galão adquirido em Rio Branco completamente vazio, uma vez que, basicamente, sabíamos os locais de possíveis abastecimentos, além de evitarmos sobrecarregar ainda mais a moto. Dessa vez, considerando as informações do nosso precário mapa, deveríamos abastecer 80 quilômetros adiante num “pueblo” denominado Marcapata, situado numa altitude média de 3.000 m.s.n.m. (metros sobre o nível do mar). Qual não foi nosso espanto ao constatar que nesse local não havia combustível! O negócio era seguir adiante e ter fé para que no próximo povoado existisse o precioso líquido.
Após alguns quilômetros inicia-se forte subida pela encosta da Cordilheira, onde avistamos as primeiras Lhamas. Olha-se para o lado, precipícios, olha-se para o outro, picos cobertos pelas nuvens.
Por sua vez, quanto mais alto, mais intenso era o frio, agravado pelas nossas roupas ainda úmidas do dia anterior, ficando ainda mais molhadas, pois começávamos a ficar no mesmo nível de algumas nuvens e com visibilidade cada vez pior.
Não era só isso. Surgem esparsos flocos de neve, piorando a sensação de frio e a moto começa a falhar, afinal estávamos ultrapassando 4.000 metros de altitude. Sentíamos, também, pela primeira vez o famoso “Soroche” ou “Mal de Puna”, no linguajar dos habitantes andinos, ocasionado pela falta de oxigênio nas grandes altitudes, mesmo havendo tomado chá de coca ao iniciar a subida e ingerido remédio que levávamos para auxiliar nesse mal estar.
Finalizando, ao atingir a parte mais alta, um local denominado Abra Hualla Hualla, situado a 4.760 metros de altitude, ao parar frente a uma espécie de capela onde os viajantes acendem velas pedindo proteção, simplesmente deixei a moto cair, pois não tinha forças suficientes para manter o equilíbrio da mesma.
Estávamos completamente congelados e debilitados. Pela primeira e única vez senti certa preocupação, afinal, além de toda a situação descrita, nosso combustível estava praticamente na reserva.
Acredito que nosso Anjo da Guarda deu uma forcinha dessa vez. Com certa dificuldade, aquecemo-nos precariamente nas velas acesas, torcemos as meias que estavam totalmente molhadas e fizemos alguns movimentos com os pés e mãos para ativar a circulação, iniciando a descida, tão perigosa quanto a subida.
Após aproximadamente 40 quilômetros andando na reserva do combustível, ao encontrar alguns casebres resolvi parar, pois se continuasse com certeza ficaria no meio do caminho.
Quase que imediatamente surgiu um furgão diesel que levou-nos até um “pueblo” denominado Ocongate, distante apenas 10 quilômetros do local onde havíamos deixado a moto. Adquiri combustível, deixei minha mulher numa pousada similar a anterior e retornei com o mesmo veículo para abastecer a trazer a moto.

Continua no próximo post, não percam.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Transoceânica - Relato de Cícero Paes - Parte 3

Registramos nossa passagem pela cidade, inserindo um adesivo do nosso Moto Clube no Hotel.

Devidamente refeitos após um dia de descanso esperando a chuva passar, partimos cedo de Puerto Maldonado, com forte neblina na primeira hora, a qual, associada à poeira, deixava a visibilidade bastante prejudicada.
No início a estrada era razoável, permitindo manter entre 60 e 80 km/h. Após 143 quilômetros, chegamos ao “pueblo” Mazuco, a partir do qual a estrada começava a mostrar sua verdadeira cara, com pedras redondas, cada vez maiores. Para piorar, começava a chover.
Sempre na esperança de tratar-se apenas de uma chuvinha, quando percebemos estávamos com as roupas de couro totalmente encharcadas, enquanto que as roupas de chuva permaneciam secas e guardadas.
Em função da chuva, nas partes baixas, enormes poças d’água barrenta que pioravam ainda mais nossa situação, pois tínhamos que cruzar com o acelerador a toda, torcendo para não encontrar uma grande pedra ou buraco no fundo. Em alguns trechos, as valas feitas pelo peso dos caminhões de carga chegavam a quase 1 metro de profundidade e, nas baixadas, ficavam encobertas pela água da chuva. Num desses locais levamos nosso 3º tombo, desta vez machucando de leve a perna da minha companheira.
A sujeira era tanta que não haviam condições ou ânimo de fotografar partes desse trajeto, o que foi uma pena, pois após superar determinados obstáculos, chegávamos a duvidar de que o tivéssemos feito. (...)
Como ponte é algo pouco utilizado nesse trajeto, em pequenos riachos (alguns não tão pequenos assim), minha companheira cruzava antecipadamente a pé, procurando demarcar o local por onde eu deveria seguir com a moto. Numa dessas ocasiões, deixei a moto na margem, seguindo com os alforjes às costas, caso contrário a água os inundaria, e ao cruzar o rio levei o maior tombo ao tropeçar numa pedra submersa, o que resultou infrutífera minha pretensão de mantê-los secos. Uma pena a cena não ficar gravada em vídeo, pois a filmadora havia se danificado um pouco antes.
Ao entardecer, após percorrer um trecho inferior a 200 quilômetros, chegamos ao “pueblo” Quincemil, onde abastecemos e fomos à única pousada existente, uma verdadeira espelunca, buscar um pernoite. Como sempre, iniciávamos uma tentativa de limpeza das roupas e acessórios, dessa vez extremamente molhados, a fim de possibilitar condições mínimas de manuseio no dia seguinte. (...)
Continua no próximo post, não percam.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vietnã Pós-Guerra - Airton Ortiz

Luiz Antônio Ferreira - fotógrafo da expedição, Airton Ortiz - autor e Adelaide

Estivemos hoje na sessão de autógrafos do jornalista e escritor Airton Ortiz, autor de diversos livros com relatos de suas viagens e aventuras, gênero denominado jornalismo de aventura, onde o autor é ao mesmo tempo repórter e protagonista da reportagem. O seu último livro, objeto da sessão de autógrafos refere-se a sua penúltima viagem ocorrida entre Junho e Agosto de 2008 ao Vietnã. O livro cujo título é "Vietnã Pós-Guerra" é sua 10° obra publicada na coleção Viagens Radicais da editora Record. Conforme Airton que já fez de tudo e conheceu diversos lugares "- foi uma das maiores aveturas que já enfrentei".

Ainda não conhecia Airton Ortiz, somente pela sua fama e por ouvi-lo eventualmente em alguma reportagem ou entrevista. É nosso vizinho, pois é morador da zona sul de Porto Alegre. A sessão de autógrafos foi precedida de uma palestra do Airton, com a apresentação de imagens da viagem, feitas pelo fotógrafo e jornalista Luis Antônio Ferreira, que também tivemos o privilégio de conhecer e saber que é um motociclista.

Ambos, figuraças. Valeu muito conhecê-los.

Quem quiser maiores informações sobre o Airton, seus livros e andanças conseguirá no site do autor www.airtonortiz.com.br

Transoceânica - Relato de Cícero Paes - Parte 2

Seqüência do relato de Cícero Paes, quando em 2002 percorreu a hoje conhecida transoceânica, retirado do seu livro, Saindo do Lugar Comum:

Anoitece. A visibilidade fica prejudicada em função da poeira e dos insetos que batem constantemente na viseira. De repente um novo tombo, desta vez por não perceber alguns torrões de barro endurecidos que desviaram a roda dianteira. Felizmente nada de grave, pois a velocidade continuava baixa, bastando levantar a moto, localizar na escuridão os alforjes laterais de couro que caíram e seguir adiante.

Chegamos às margens do Rio Madre de Dios, onde embarcamos numa balsa precária que leva à cidade de Puerto Maldonado no outro lado, parecendo tatus ao saírem de uma toca, tal era nosso estado de sujeira devido a poeira acumulada nos 220 quilômetros percorridos desde a fronteira Brasil – Peru.

Imediatamente pedimos informações de hotel e procuramos buscar aquele que oferecesse melhores condições de habitação, pois estávamos exaustos. Tínhamos informações sobre um bom hotel nessa cidade, porém as anotações estavam no fundo dos alforjes e não lembrávamos do nome. Por uma feliz coincidência o hotel escolhido era exatamente esse (Cabaña Quinta), cujo proprietário é um velho conhecido do nosso contato, via internet, no Acre.

O dia seguinte amanheceu chovendo, de forma que, como ainda tínhamos pela frente aproximadamente 450 quilômetros de estradas não pavimentadas, cujas informações eram que, mesmo sem chuvas, seriam piores que o trecho já percorrido, resolvemos não arriscar. Aguardamos um dia na cidade, com a esperança de que o tempo melhorasse, aproveitando esse tempo para, além de descansar, fazer câmbio de moeda, tentar uma limpeza mediana das roupas, moto e acessórios e dar umas voltas pela cidade a bordo de um “motocar”, que nada mais é que uma moto de 125 cilindradas (normalmente bastante velha) com duas rodas na traseira, que tem a função de táxi.

Puerto Maldonado apesar de ser uma cidade pequena, oferece condições razoáveis aos turistas, como hotel, agência bancária, internet, etc. Nossa estadia nessa localidade foi extremamente agradável, principalmente pelo fato de havermos travado amizade com o proprietário do hotel, pessoa muito simpática e cheia de boa vontade para conosco, providenciando, inclusive, um mapa que nos faltava do trajeto Puerto Maldonado – Cusco.

Continua no próximo post, não percam.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Transoceânica - Relato de Cícero Paes - Parte 1

Lendo o livro do Cícero Paes, Saindo do Lugar Comum, os trechos de seu livro que mais me impressionaram e despertaram grande curiosidade foi o trajeto que separa o Acre no Brasil a Cuzco no Peru, rodovia hoje batizada de transoceânica. Hoje a rodovia está sendo pavimentada, porém o Cícero a percorreu em Abril de 2002, sob condições extremamente adversas e com equipamentos ainda limitados, como roupas de couro, enfrentando chuva, frio, altitude e uma estrada do inferno.

Vale à pena a reprodução de parte do relato deste grande aventureiro:

Procuramos o caminho que leva à fronteira e, para a nossa surpresa, deparamo-nos com a ribanceira do pequeno Rio Acre. Imediatamente acreditamos haver tomado a estrada errada, pois parecia-nos impossível continuar. Entretanto fomos orientados por canoeiros que se achavam dentro d’água, a desviar a moto pelo flanco do barranco e chegar às margens do rio.

Começava nossa verdadeira aventura!

A travessia do Rio Acre, que divide Brasil e Peru, como já era de nosso conhecimento, somente foi possível, através da colocação da moto sobre um bote. Apesar de cientes dessa primeira adversidade, a situação inusitada, deixou um misto de perplexidade, frente a precária situação.

No pequeno “pueblo” do lado peruano, Iñapari, acha-se a aduana onde iniciamos os trâmites de nosso ingresso naquele país.(...)

Iniciamos um novo trajeto em estrada de terra, normalmente em más condições, porém com alguns trechos razoáveis, dando para manter uma média entre 40/50 km/h. Após 50 quilômetros, paramos num “pueblo”, denominado Ibéria, para abastecer a moto (...)

Logo após essa localidade fomos “batizados”, ou seja, levamos nosso primeiro tombo ao entrar mal numa pequena ponte. Poderia ser pior se a velocidade fosse maior, uma vez que a mesma nem proteções laterais possuía. Mal sabíamos que ponte nessa região é artigo de luxo. Puerto Maldonado, onde pretendíamos pernoitar, ainda estava a 150 quilômetros e, como a velocidade era muito baixa, percebemos que chegaríamos à noite.

Continua no próximo post, não percam.

Na Garupa de um Motociclista... Até o fim do mundo.

Na foto da esquerda para direita: Marcos, Álvaro, Antonella (sentada), Adelaide e Renato Lopes

Ontem, 1 de Novembro, foi um dia muito especial para nós, pois pudemos reencontrar o casal de amigos Marcos e Antonella,  por ocasião do lançamento do livro de Antonella "Na Garupa de um Motociclista...Até o Fim do Mundo", na feira do livro de Porto Alegre. Lá também tivemos o prazer de conhecer pessoalmente outra grande figura do mundo da motoviagem, o experiente motociclista, gaudério Renato Lopes, figura finíssima, gentil e de uma humildade exemplar, principalmente em se tratando de um aventureiro com um curriculo invejável de viagens e com muitas histórias para contar. O Renato também é escritor e autor do livro Motociclistas nas Rutas do Cone Sul, que também muito nos auxiliou(a) no planejamento de nossas viagens. O dia ecerrou com um jantar que reuniu na mesa diversas pessoas e tribos compondo uma mesa eclética formada por gente do bem. Muito bom conhecer e colecionar amigos.

O livro de Antonella promete. Com uma visão inédita, a da garupa, e com a sensibilidade e veia poética da autora, estamos diante de mais uma obra que cativará não só o público motociclista, pilotos e garupas, mas também quem gosta de uma boa leitura, com qualidade, informação e sensibilidade.

Transcrevo um trecho do prefáciador da obra, Renato Lopes:

"Na Garupa de um Motociclista... Até o fim do mundo", o relato da Antonela Catania, uma médica e motociclista que, na condição de garupa, é companheira inseparável e cúmplice do marido motociclista. Garupa de muita coragem, de planejamento peculiar, de sensibilidade permanente, de inspiração presente, de percepção privilegiada e de muitas reflexões. Antonela, sobre duas rodas, realizou o sonho de conquistar Ushuaia, no extremo sul da Argentina, enfrentando e vencendo seus medos e toda sorte de obstáculos por mais de 13 mil km.

Quem quiser adquirir o livro acessa o site do casal, onde encontrará as instruções necessárias para a compra.

8° Encontro Papaxão em Duas Rodas - Carazinho RS


Ocontecerá também no final de semana de 6 a 8 de Novembro o 8° Encontro Papaxão em Duas Rodas, na cidade de Carazinho - RS.

Transcrevo o convite na íntegra:

A melhor recepção aos motociclistas do sul do país. Feira de artesanato e produtos motociclísticos. Venda de camisetas oficiais do evento. Gincana, Rally de regularidade, slalon e brincadeiras. Festa no Bier Pub (Sexta e Sábado com Voz e Violão). Festa na Bier Site (Sábado, com a banda Nenhum de Nós). Shows de Wheelie profissional. Local asfaltado e cercado para manobras no evento.

Maiores informações do evento você consegue acessando o site o evento, ou clicando nas imagens para amplia-las.

domingo, 1 de novembro de 2009

8° Moto Show Mercosul em Pelotas


Nos dias 6, 7 e 8 de Novembro, portanto no próximo final de semana acontece em Pelotas o 8° Moto Show Mercosul, idealizado e promovido pelo Moto Grupo Liberdade.

Transcrevo na íntegra o convite:

8º MOTOSHOW DO MERCOSUL PELOTAS
Estamos convidando a todos nossos amigos para mais uma grande festa que faremos, venha prestigiar o evento que foi eleito o melhor do Estado em 2007, estamos trabalhando para fazer um evento melhor que do ano passado! Em 2007 ficamos em 1º lugar no estado, na eleição realizada pelos moto grupos. Nosso encontro é de motociclista para motociclista, queremos que vocês todos sintam-se em casa, queremos dar um abraço em cada um que chegar aqui para prestigiar o 8º Motoshow do Mercosul, porque vocês são razão do evento e as estrelas da festa. Local fechado, no Parque do Sesi com toda infra-estrutura, com segurança. Este ano mais uma vez estaremos servindo um boi no rolete assado inteiro no sábado ao meio dia como recepção. (Não é meio boi).
Teremos o kit opcional mais barato do estado (camiseta promocional, adesivo, janta, boate, camping, três cafés da manhã no QG do evento).
Troféu aos Moto Grupos inscritos.
Inscrição gratuita a todos!

Outras informações, como local, programação e fotos dos eventos anteriores, você poderá ver no site do evento.