terça-feira, 3 de novembro de 2009

Transoceânica - Relato de Cícero Paes - Parte 2

Seqüência do relato de Cícero Paes, quando em 2002 percorreu a hoje conhecida transoceânica, retirado do seu livro, Saindo do Lugar Comum:

Anoitece. A visibilidade fica prejudicada em função da poeira e dos insetos que batem constantemente na viseira. De repente um novo tombo, desta vez por não perceber alguns torrões de barro endurecidos que desviaram a roda dianteira. Felizmente nada de grave, pois a velocidade continuava baixa, bastando levantar a moto, localizar na escuridão os alforjes laterais de couro que caíram e seguir adiante.

Chegamos às margens do Rio Madre de Dios, onde embarcamos numa balsa precária que leva à cidade de Puerto Maldonado no outro lado, parecendo tatus ao saírem de uma toca, tal era nosso estado de sujeira devido a poeira acumulada nos 220 quilômetros percorridos desde a fronteira Brasil – Peru.

Imediatamente pedimos informações de hotel e procuramos buscar aquele que oferecesse melhores condições de habitação, pois estávamos exaustos. Tínhamos informações sobre um bom hotel nessa cidade, porém as anotações estavam no fundo dos alforjes e não lembrávamos do nome. Por uma feliz coincidência o hotel escolhido era exatamente esse (Cabaña Quinta), cujo proprietário é um velho conhecido do nosso contato, via internet, no Acre.

O dia seguinte amanheceu chovendo, de forma que, como ainda tínhamos pela frente aproximadamente 450 quilômetros de estradas não pavimentadas, cujas informações eram que, mesmo sem chuvas, seriam piores que o trecho já percorrido, resolvemos não arriscar. Aguardamos um dia na cidade, com a esperança de que o tempo melhorasse, aproveitando esse tempo para, além de descansar, fazer câmbio de moeda, tentar uma limpeza mediana das roupas, moto e acessórios e dar umas voltas pela cidade a bordo de um “motocar”, que nada mais é que uma moto de 125 cilindradas (normalmente bastante velha) com duas rodas na traseira, que tem a função de táxi.

Puerto Maldonado apesar de ser uma cidade pequena, oferece condições razoáveis aos turistas, como hotel, agência bancária, internet, etc. Nossa estadia nessa localidade foi extremamente agradável, principalmente pelo fato de havermos travado amizade com o proprietário do hotel, pessoa muito simpática e cheia de boa vontade para conosco, providenciando, inclusive, um mapa que nos faltava do trajeto Puerto Maldonado – Cusco.

Continua no próximo post, não percam.

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