sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Transoceânica - Relato de Cícero Paes - Parte Final

Passado esse susto, procuramos nos alimentar precariamente e se acomodar na pousada, cujo preço era estipulado pela quantidade de camas existentes no quarto. Considerando que haviam 4 no mesmo quarto, necessitamos pagar por todas, caso contrário teríamos que dividir o mesmo espaço com mais dois nativos que insistiam em utilizar as camas adicionais. O que para nós parecia um absurdo, para eles era algo normal, afinal, estávamos “noutro mundo”.

Talvez devido a altitude, minha mulher não passou bem à noite, o que motivou-nos a contratar o mesmo furgão para nos transportar com moto e tudo nos últimos 80 quilômetros de estradas precárias que faltavam para chegar ao tão esperado asfalto que leva a Cusco. Assim fizemos esse trajeto, apesar da moto mal caber no furgão, apreciando a bela paisagem que liga Ocongate a Urcos, enquanto comíamos as últimas bolachas.

Trata-se de um trajeto de grandes altitudes e, logo de saída, numa curva acentuada, avistamos um caminhão tombado, com uma vítima fatal que ainda se achava no local. Fiquei pensando nos lugares extremamente perigosos por onde passamos, chegando a conclusão de que nada acontece na véspera, apenas no dia predestinado.

Seguimos adiante por uma estrada tão péssima quanto aquelas que já havíamos percorrido, porém apreciando belos picos nevados ao longo do horizonte, lhamas, nativos andinos com seus trajes típicos multicoloridos e pequenos “pueblos” com casas erguidas à base de uma espécie de tijolo de barro. Pudemos perceber que os nativos dessa região vivem basicamente com os recursos da terra, pois quase nada é industrializado, inclusive o material de construção de suas habitações.

De uma altitude aproximada de 4.000 metros, avistamos a cidade de Urcos, e iniciamos um longo trecho em declive serpenteando a montanha, até chegar ao excelente asfalto que leva até Cusco.

Desembarcamos a moto do furgão, abastecemos e iniciamos o percurso em asfalto, coisa que, agora sim, valorizávamos como nunca. Cheguei de fato a conclusão de que meu negócio é asfalto, e ainda mais convicto de que moto combina mesmo é com boas estradas, sol e calor e não com estradas ruins, chuva e frio. (...)

E a viagem do Cícero acompanhado de sua esposa e garupa seguiu, e eles alcançaram os seus objetivos (Machu Picho, Titicaca e Atacama) que hoje estão registrados no livro Saindo do lugar comum.  Agradecemos ao Cícero que nos brindou com esta emocionante história.

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