terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Expedição Ruta 40

Desde o dia 29 está sendo apresentado na TVCOM um documentário que relata uma viagem efetuada em 12 dias, por mais de 5.500 km pela lendária Ruta 40. A viagem ocorreu em setembro quando os  14 participantes embarcaram as motos em um caminhão até Rio Gallegos (última cidade Argentina, antes da travessia do Estreito de Magalhães e ingresso na Terra do Fogo). De lá, pegaram as motocicletas e pilotaram 150 quilômetros até Cabo Virgenes, ponto zero da Ruta 40. Todas as motos são acima de mil cilindradas. Das 14 motos que largaram, 10 chegaram a La Quiaca, fronteira com a Bolívia. Dois pilotos sofreram acidentes (um deles fraturou a mão esquerda) ainda antes dos primeiros mil quilômetros. Outros dois tiveram problemas mecânicos e também voltaram mais cedo. Mesmo quem chegou, não escapou de pequenos tombos no meio do caminho. Para realizar o sonho de cruzar a Argentina, cada participante gastou cerca de R$ 8 mil. O comboio tinha ainda um carro de apoio, guiado pelo aventureiro Clovis Kalikoski, o Chakal, apresentador do programa a ser exibido na TVCOM.

A Ruta 40 é a mais extensa rodovia Argentina e também é considerada mítica pelos motociclistas, pelas extremas dificuldades que apresenta, especialmente o vento e o rípio encontrado no extremo sul do país. Vencê-la é o sonho de 10 entre 10 motoviajantes.

Localidade de Três Lagos (aqui o diabo perdeu as botas)

A Ruta 40 após a queda e apoio do argentino Sérgio

Nós tentamos enfrentá-la na viagem ao Fim do Mundo, porém fomos vencidos por ela e pelo vento nos primeiros 2 quilômetros. Vale a pena a reprodução do relato deste dia:

O Local: Tres Lagos, após 30 km do trevo de acesso ao povoado de El Chalten, no sopé do pico Fitz Roy = Estamos em uma Estação de Serviço (posto de combustível). Final do trecho asfaltado da Ruta 40. Logo que entramos no posto (já havíamos passado, não o enxergando pois ele se localiza afastado da rodovia), vimos duas motos Transap estacionadas sendo abastecidas, em uma delas um americano que falava português na outra um casal de americanos (estes nao falavam qualquer palavra em português). O primeiro, que falava português, muito cansado. - De onde vens, perguntei, ja sabendo da resposta, pois o vi passar quando sem querer passei pelo posto. Respondeu: - da Ruta 40, de Bariloche. E eu imediatamente: - Como ela esta? - Horrível, respondeu, continuando, - muito e muito vento, vento forte e um rípio alto entre os trilhos de automóveis, e completou - Esta muito perigoso. Precisa muita forca para manter a moto nos trilhos e nao descontrolá-la para que nao mergulhe no pedregulho formado pelo trilho dos autos. A altura do leito entre os trilhos é de 30 cm ou mais em alguns locais. Levei 4 horas para percorrer 180 km, todo ele ruim. Antes (para nós seria depois) ele esta melhor. Além disto muitas costeletas nos trilhos. Como se não bastasse a via estar péssima, o vento atua de forma intermitente, e volta e meia largando fortíssimas rajadas. Abastecemos as motos, o vento intensificando e nossa preocupação aumentando. Estavamos ali em um dilema, retornar os 150 km ate El Calafate e se dirigir a Rio Gallegos e após subir a ruta 3, ou continuar , sofrer e enfrentar esta adversidade???? Resolvemos, em comum acordo, depois de alguma discussão prosseguir pela ruta 40. Péssima idéia. Antes de sair o americano alerta: muito cuidado, esta muito perigoso mesmo. Vão com cuidado e tomem muita água no caminho. Ao saírmos uma camionete vem trazendo carregada em sua carroceria o 4° membro da equipe (a moto estragada e o piloto acabado). Não aguentou a ruta 40. Seguimos temerosos e o vento fortíssimo pegando no costado. Entramos na ruta 40, devagar e eu extremamente tenso tentando manter a moto nos trilhos. Vou seguindo, inicialmente 40, 50, 60 km/hora e então uma forte rajada de vento já nos 2 km percorridos nos joga para o meio do trilho onde o pedregulho forma montes de 30 cm e a moto se descontrola, eu acelero e dá-se o acontecido: a moto derrapa e faz um zerinho atirando eu e Adelaide um ou dois metros longe. Assim como caímos nos levantamos (tudo extremamente rápido). Eu apavoradíssimo com a possibilidade de a Adelaide ter se machucado, porém averiguações feitas, nenhum arranhão em ambos. Tudo bem com a gente. Agora era verificar a moto que recém abastecida expelia pelo suspiro gasolina. Ficou virada e deitada no sentido contrário (pela derrapagem que formou um zero). Um dos alforjes arrebentou sua cinta que o segura no suporte. No mais tudo bem. Um Argentino, que recém havia passado por nós, viu que estávamos em maus lencóis, e deu marcha ré em sua camionete. Veio ver se havíamos nos machucado e vendo a dificuldade de erguer a moto, nos ajudar a levantá-la. Com muito esforço, pois erguemos ela contra o vento, colocamos de pé. Por incrível que pareca e pela proteção dos alforjes nenhum arranhão na Catarina, somente o pé da embreagem entortado. Será que algum problema mecânico poderia ter ocorrido com a queda? Bati o arranque e nada, acho que estava afogada. Bati novamente e nada. Definitivamente afogada. O vento mal nos deixava de pé. Esperei um pouco e bati novamente o arranque e finalmente ela ligou. Agora averiguar se as marchas funcionavam. Incialmente me pareceu difícil, pois a alavanca estava completamente torta, fora de sua posição para uma debreagem tranqüila, mas após algumas tentativas, averiguei que estavam funcionando. Preciso aqui agradecer ao amigo Argentino (se não me engano seu nome é Sérgio) que tão prestimosamente nos ajudou. Agora o desafio era sair daquele rpio, pois se antes estavamos em um dilema, agora tínhamos uma certeza: nao prosseguiríamos pelo rípio. Que encreca que nos metemos. Pela adrenalina, pelo vento, os 2 km de retorno foram para mim os mais longos de toda a viagem. Finalmente conseguimos alcançar o asfalto. Vale aqui a importante observação que principalmente pelos equipamentos como roupas de cordura com proteções nas articulações, botas e luvas, nada sofremos (Somente a bota da Adelaide foi um pouco mastigada, mas, como disse ela nada sofreu).

Para assistir ao primeiro capítulo você pode acessar o site do Chakal ou clicar no link abaixo:

Capitulo 1: Expedição Ruta 40

Também estou postando (abaixo) a entrevista concedida pelos organizadores da expedição a TV COM, no programa falando de Tânia Carvalho:



Um interessante blog que relata a viagem e traz outras informações é o seguinte:


Próximos programas: dia 13 e  20 de Dezembro, na TVCOM, canal net 36, as 20:00hs

Para assistir ao vivo o programa nestes horários clique aqui

Um comentário:

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