quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Desafios da Natureza - Três Coroas

Bom gente. Este final de semana (6,7 e 8 de Novembro) a aventura e a adrenalina estão garantidas, pois estarei participando dos "Desafios da Natureza", um evento que tem por objetivo integrar esporte, homem e natureza. O desafio será realizado no Parque das Laranjeiras na cidade gaúcha de Três Coroas.

Os esportes que estarão em disputa são:

- Rafting (Sprint e descida);
- Canoagem (Slalom e Rodeio);
- Mountain Bike (Trip Trail, Downhill e Four Cross);
- Corrida de Aventra.

E adivinhem em que modalidade eu fui me inscrever ???? Certamente em um daqueles lapsos de juízo perfeito, que eventualmente somos acometidos, fui aceitar participar do rafting. E tem mais: O Rafting será feito em duas provas, uma normal, durante o dia e outra noturna. Vai saber onde é que eu estava com a cabeça quando aceitei participar...!!!????

Brincadeiras a parte, será tranquilo. Já desci as corredeiras do Paranhana que apresentam um nível moderado para leve de dificuldade, portanto será a maior curtição.

Estarei participando de uma das equipes da Academia Energia Vital da cidade de Taquara, liderados pela Raquel e pelo Guilherme, casal proprietário da Academia e seres humanos especiais = gente do bem.

Na próxima semana postaremos as fotos do evento.

Transoceânica - Relato de Cícero Paes - Parte 4

Iniciamos o 11º dia da viagem, partindo cedo de Quincemil e, logo, levamos mais um pequeno tombo. As condições da estrada pioravam cada vez mais, com muita lama, grandes pedras redondas e grandes valas, não permitindo velocidade acima de 20 km/h.
A estrada começava a serpentear belas encostas, iniciando a subida da Cordilheira, a qual não podíamos apreciar muito bem, pois a atenção com a estrada era prioritária.
Até então levávamos o galão adquirido em Rio Branco completamente vazio, uma vez que, basicamente, sabíamos os locais de possíveis abastecimentos, além de evitarmos sobrecarregar ainda mais a moto. Dessa vez, considerando as informações do nosso precário mapa, deveríamos abastecer 80 quilômetros adiante num “pueblo” denominado Marcapata, situado numa altitude média de 3.000 m.s.n.m. (metros sobre o nível do mar). Qual não foi nosso espanto ao constatar que nesse local não havia combustível! O negócio era seguir adiante e ter fé para que no próximo povoado existisse o precioso líquido.
Após alguns quilômetros inicia-se forte subida pela encosta da Cordilheira, onde avistamos as primeiras Lhamas. Olha-se para o lado, precipícios, olha-se para o outro, picos cobertos pelas nuvens.
Por sua vez, quanto mais alto, mais intenso era o frio, agravado pelas nossas roupas ainda úmidas do dia anterior, ficando ainda mais molhadas, pois começávamos a ficar no mesmo nível de algumas nuvens e com visibilidade cada vez pior.
Não era só isso. Surgem esparsos flocos de neve, piorando a sensação de frio e a moto começa a falhar, afinal estávamos ultrapassando 4.000 metros de altitude. Sentíamos, também, pela primeira vez o famoso “Soroche” ou “Mal de Puna”, no linguajar dos habitantes andinos, ocasionado pela falta de oxigênio nas grandes altitudes, mesmo havendo tomado chá de coca ao iniciar a subida e ingerido remédio que levávamos para auxiliar nesse mal estar.
Finalizando, ao atingir a parte mais alta, um local denominado Abra Hualla Hualla, situado a 4.760 metros de altitude, ao parar frente a uma espécie de capela onde os viajantes acendem velas pedindo proteção, simplesmente deixei a moto cair, pois não tinha forças suficientes para manter o equilíbrio da mesma.
Estávamos completamente congelados e debilitados. Pela primeira e única vez senti certa preocupação, afinal, além de toda a situação descrita, nosso combustível estava praticamente na reserva.
Acredito que nosso Anjo da Guarda deu uma forcinha dessa vez. Com certa dificuldade, aquecemo-nos precariamente nas velas acesas, torcemos as meias que estavam totalmente molhadas e fizemos alguns movimentos com os pés e mãos para ativar a circulação, iniciando a descida, tão perigosa quanto a subida.
Após aproximadamente 40 quilômetros andando na reserva do combustível, ao encontrar alguns casebres resolvi parar, pois se continuasse com certeza ficaria no meio do caminho.
Quase que imediatamente surgiu um furgão diesel que levou-nos até um “pueblo” denominado Ocongate, distante apenas 10 quilômetros do local onde havíamos deixado a moto. Adquiri combustível, deixei minha mulher numa pousada similar a anterior e retornei com o mesmo veículo para abastecer a trazer a moto.

Continua no próximo post, não percam.