segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Moto encontros x Espírito do motociclismo responsável

Neste último final de semana, eu e a Adelaide pegamos a moto e rumamos para um encontro de motociclistas. Neste referido encontro, inserido em sua programação, ocorria o congresso da AMO RS (Associação dos Motociclistas do RS), com palestras sobre segurança no motociclismo. Boas palestras, medianas palestras e palestras não tão boas. Porém merece nossos elogios a iniciativa de "tentar" falar de segurança na pilotagem junto a categoria. O nosso objetivo ao rumarmos para o local do evento era justamente o congresso da AMO e não o Moto Encontro. Aliás não curtimos nem um pouquinho o formato dos atuais Moto Encontros. Na minha opinião eles são totalmente divergentes com o espírito do motociclismo. 
O que não consigo entender é a total incoerência do que vi neste final de semana. Explico: enquanto a AMO promovia, com muito esforço e em uma estrutura deficiente (o evento ocorria embaixo de um lonão com um calor absurdo), com dificuldades organizacionais e com alguns poucos interessados, palestras sobre o tema da segurança tanto do piloto como da garupa, em paralelo acontecia no mencionado moto encontro (que diga-se de passagem, não ser diferente de qualquer outro moto encontro em nosso estado e penso no Brasil), a promoção de atividades completamente divergentes do que se pregava.
Falo do seguinte: 
- Venda de bebida alcoolica para quem em seguida pegaria a motocicleta e rumaria para suas casas e cidades. Muita gente se embriagando para após pilotar uma moto; E pior, bebida (destilada inclusive) vendida pelo Moto grupo organizador do encontro; O resultado desta bebedeira, os senhores já sabem. Pergunto: Bebida e pilotagem combinam com o espírito de liberdade e celebração da vida, essência do motociclismo responsável ? 
- Promoção daqueles repetitivos shows acrobáticos e sem sentido de motocicletas (estouro de pneu, estouro de foquetes, acrobacias com pessoas dependuradas na moto, exposição a riscos de forma desnecessária, fumaceira total com queima de pneus e combustível). Importante dizer que em uma das apresentações ocorreu um acidente grave com vítima ferida junto a platéia. Notem que no congresso da AMO ouvíamos sobre segurança; Pergunto: Incentivar o risco de vida combina com o espírito de paz do motociclismo ? 
- Aliás esta queimação de pneu e fumaceira somente gera poluição, o que na minha opinião se configura em mais um absurdo e contraria o espírito livre e contestador do motociclismo que acima de tudo repudia a agreção a natureza e antes de mais nada guarda (ou deveria guardar) uma relação de muito respeito com a terra e com a natureza. 
Sinceramente como disse, estes encontros não fazem nosso gênero, e me posiciono de forma clara e crítica em relação a este formato. Repito: é uma incoerência estas atividades em paralelo aos debates que a AMO tenta promover. Na minha opinião falhou a AMO em promover o seu congresso em um ambiente como este. 
Quanto aos Moto Grupos, penso ser importante repensar suas abordagens e seu foco de atuação. Se queremos um motociclismo cidadão e responsável, precisamos rever muita coisa. Torço para que algum grupo contrarie o senso comum e nos brinde com uma outra proposta.

P.S: Mesmo assim sou um apoiador do motogrupos e de seus encontros, pois entendo que a muito custo estas iniciativas são criadas e mantidas. Sempre que posso divulgo as boas práticas. Entendo que existe, apesar deste equívoco de entendimento e orientação dos moto encontros, a intenção primeira de reunião e congrassamento das pessoas apaixonadas pelo motociclismo.

2 comentários:

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