sábado, 21 de abril de 2012

História da Transalp

A XL 600 V de 1987

Em 1976, um grupo de seis motociclistas, pilotando diversos tipos de motos, fez a ligação entre "Graz" na Áustria a "Mônaco", passando pelos Alpes. Este feito despertou a atenção da Honda que resolveu, logo no ano seguinte, organizar o "TRANSALP" (Transposing the Alps, em uma tradução livre: Transpondo os Alpes), numa tentativa de cultivar a amizade entre os utilizadores da moto e de encorajar o maior contato com a natureza e a grandiosidade dos Alpes. Este passeio de 3.500 Km, com uma duração de 22 dias, que voltou a fazer a ligação entre Graz e Mônaco, foi a verdadeira inspiração para o desenvolvimento da XL 600 V, batizada com o nome deste acontecimento.
O primeiro protótipo da Transalp surgiu em 1985, como uma moto off-road de 500 cm³, mas logo recebeu algumas mudanças sendo lançada em 1987 com o nome de XL 600V. Três anos mais tarde, recebeu um motor de 650 cm³ e após, em 2008, chegou ao modelo que está sendo comercializado no Brasil. Apesar de ter sido lançado no Brasil em Abril de 2011, o modelo já tem três anos de estrada no exterior. Na verdade, se considerarmos pequenas alterações, ela só chegou ao Brasil em sua 5ª geração. 
Uma curiosidade, já tema de um post neste blog, diz respeito ao grafismo que envolve o logotipo da Transalp nas carenagens laterais dianteiras, que foi inspirado nos atuais aparelhos de navegação por satélite (GPS). A posição dos números corresponde as coordenadas geográficas do ponto mais alto da Europa, acessível com uma motocicleta, situado nos Alpes Franceses, especificamente em Col de la Bonette, a 2.715 m.s.n.m. 

A XL 650V de 2000

A XL 700V de 2008

A XL 700 V, modelo 2012 (comercializadas em 2012 com duas cores: Verde e Branca)

domingo, 15 de abril de 2012

Ligando os Faróis

Aquarela de Edgar Vasques, representando o Farol da Barra do Chuí.

Um local que ouso classificar como um dos mais fascinantes do mundo é o litoral sul do estado do Rio Grande do sul, mais precisamente entre os municípios de Balneário Pinhal até São José do Norte e depois da Barra de Rio Grande na Praia do Cassino, até a Barra do Chuí, fronteira com o Uruguai. Esta extensa faixa de areia, a propósito, batizada a partir de Cassino até Barra do Chuí, como a maior praia do mundo (Esclareço, para não gerar suscetibilidades, que incluo neste denominação as praias dos dois municípios: Rio Grande com  a Praia do Cassino e Santa Vitória do Palmar, com a Praia de Hermenegildo, ambas brigando pela titularidade de maior praia do mundo). Deixando as disputas locais de lado, o que importa é que esta extensa faixa litorânea é sem dúvida fascinante pela sua geografia peculiar, com extensas faixas de areia, sendo uma das maiores do mundo de mar aberto, sem baia, sem vegetação e sem montanha, onde a praia é limitada pelo mar e por dunas em toda sua extensão, e por diversas lagoas e banhados, com destaque para a reserva Lagoa do Peixe e a incrível Estação Ecológica do Taim. Fascinante também pela sua inospidez e isolamento, sendo seu percurso em boa parte, de difícil acesso e recheado de adversidades, tendo em vista o terreno em alguns locais de areia fofa e córregos, além da maré traiçoeira, que aliada ao clima, pode colocar o viajante em apuros. Também fascinante pela história que guarda, sendo local de muitos naufrágios e local de pirataria ainda nos dias hoje. Cemitério de embarcações, no seu percurso o viajante pode ver esqueletos de barcos e navios. Também fascina pela incrível fauna marítima, com aves, tartarugas, baleias, focas, leões marinhos e outros animais. Mas apesar de seu isolamento, constata-se a absurda intervenção do homem e pelo caminho a triste visão de uma enorminadde de lixo, aliás do mundo todo, trazido pelas mares oceânicas.

Este incrível local foi motivo de um projeto empreendido pelo motociclista Chardô, já personagem de outros post deste blog, chamado de "Ligando os Faróis". Ele juntamente com o motociclista Luis Medeiros, conhecedor da região, fez em 2007 uma viagem partindo do extremo norte do litoral gaúcho, na barra do Rio Mampituba em Torres, terninando no extremo sul do litoral gaúcho, na barra do Rio Chui, na fronteira com o Uruguai. Uma viagem de 700 km realizadas com uma Falcon NX 400 e uma DR 650, visitando e fotografando todos os 19 faróis deste percurso.
Uma incrível e inspiradora viagem, registrada em um vídeo de 10 minutos e no relato que transcrevo a seguir:

Dias ensolarados com temperaturas entre 14ºC e 27ºC, ventos fracos de sudeste, umidade relativa em torno de 60%, lua cheia mudando para minguante. Taboa de marés indicando baixas com oscilações de queda nos horários previstos da viagem.
Estas eram as previsões do tempo para cinco dias no final de novembro de 2007, cujas condições reunidas foram favoráveis e decisivas para colocar em prática um antigo projeto de conhecer os faróis que orientam a navegação no litoral do Rio Grande do Sul.
Para tal feito, tive a parceria do amigo motociclista de Viamão-RS, Luis Medeiros, que nasceu em Mostardas e conhece bem a região. Utilizamos motos leves, NX4 e DR650, sem muitos preparativos e equipamentos.
Foram mais de 700km, do Rio Mampituba, divisa com Santa Catarina, até a Barra do Chuí, fronteira com o Uruguai. Rodando pela praia e contornando em 3 obstáculos: Barra do Rio Tramandaí, Barra da Lagoa do Peixe e Barra de Rio Grande.
Atravessamos uma área chamada “concheiro”, com extensão de aproximadamente 14km, onde existem grande quantidade de conchas misturadas a areia fofa que impede a passagem, pois atola facilmente, sendo possível somente pela beira da praia, na maré baixa, junto a onda que avança e molha a areia, tornando mais firme. Mas se parássemos aqui também ficaríamos atolado e possivelmente não conseguiríamos recuperar a moto.
Visitamos e fotografamos todos os faróis: Mampituba Norte (10m de altura), Mampituba Sul (10m), Torres (46m), Arroio do Sal (40), Capão da Canoa (26m), Tramandaí (23m), Cidreira (30m), Berta (40m), Solidão (21m), Mostardas (38m), Conceição (30m), Estreito (40m), Barra (31m), Molhe-Leste (12m), Molhe-Oeste (12m), Sarita (37m), Verga (11m), Albardão (44m) e Chuí (30m). Mas encontramos também muita poluição em toda extensão, muitas garrafas pet, sacos plásticos, vidros, lâmpadas, cordas de nylon, pneus velhos, caixas de leite tetra pack. Muitos navios naufragados, com estruturas que se enterram a cada ano. Também vimos a agressão a vida, muitas tartarugas centenárias e golfinhos mortos por redes de pesca. Restos de baleia e leão marinho.
A costa gaúcha é a mais extensa praia do Brasil e também uma das maiores do mundo de mar aberto, sem baia, sem vegetação e sem montanha, com exceção de Torres. A extensa faixa de praia é limitada pelo mar e por dunas em quase toda sua extensão, e também por 61 lagoas e banhados como a reserva do Taim.
Na região da metade sul desta longa faixa deserta, grandes bandos de aves migratórias, que se deslocam do hemisfério norte ou sul, utilizam para se alimentar e procriar, principalmente na Estação Ecológica do Taim e no Parque Nacional da Lagoa do Peixe.
Esta região também ficou conhecida como Campos Neutrais ou “terra de ninguém” (Reconhecida pelo Tratado de Santo Ildefonso – 1777 – entre Portugal e Espanha, onde a Espanha ficaria com a Colônia do Sacramento e devolveria a Portugal as terras ocupadas no atual estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
Isolada e pouco habitada esta foi a região ideal para esconderijo de bandoleiros que atraiam navios para a beira da praia afim de assaltá-los. Aqui se estabeleceu um grupo mafioso sob o comando de refugiados italinos da Calábria. Não se sabe exatamente quando eles chegaram à região, mas é quase certo que isso ocorreu nos primeiros anos da antiga Campos Neutrais.
A região também é conhecida como cemitério de navios, pois o mar aberto com ciclones e grandes ondas já provocaram vários naufrágios. Nos 267 anos de historia do Rio Grande do Sul contam-se ao menos 270 naufrágios em sua costa. Estudiosos apontam uma clara relação entre os naufrágios e a passagem de frentes frias pela região. Mas o total de naufrágios, segundo estes mesmos estudos, pode ser bem superior, porque não há um levantamento confiável relativo aos últimos 60 anos.


terça-feira, 10 de abril de 2012

Coordenadas Geográficas no tanque Transalp

O grafismo que envolve o logotipo da Transalp nas carenagens laterais dianteiras foi inspirado nos atuais aparelhos de navegação por satélite (GPS), reforçando a vocação aventureira do modelo. A posição dos números corresponde as coordenadas geográficas  do ponto mais alto da Europa, acessível com uma motocicleta, situado em Col de la Bonette, no sul dos alpes franceses com 2.802 m.s.n.m.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Momentos - Comercial da Honda Transalp

Belíssimo Comercial da Honda Transalp. Vale pela trilha, vale pelo texto, vale pelas imagens, vale pela reflexão (Inspirador):

Quando chegar o dia em que você viver apenas de lembranças, de que lembranças Você vai querer viver?
Das escadas que não subiu?
Das praias que não mergulhou?
Das grutas que não desbravou?
Dos beijos que não roubou, ou se deixou roubar?
Das portas que não abriu?
Das histórias que não conheceu?
Das que não viveu? Das que não contou?
Viva.
Viva para ter o que lembrar.
Pois vai chegar o dia em que a sua maior riqueza serão as lembranças.
E são elas que te manterão vivo.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Super Tenerê 1200

Em Dezembro de 2009, meu amigo Serra me apresentou a moto XT 660. Na época, uma moto que ambicionava quem sabe ser a minha próxima. Naquele dia, com esta oportunidade, foi a primeira vez que havia pilotado uma XT 660.
Agora, no dia 18 de Março, no aniversário do meu filho Artur, o Serra, que juntamente com sua companheira Manja se deslocaram de Pelotas a Nova Petrópolis com sua Super Tenerê e prestigiaram o aniversário do meu filho, "aprontou" mais uma grata surpresa. Ele fez questão que eu pilotasse sua Big Trail, a propósito, pela primeira vez. E diga-se de passagem, eu nunca havia pilotado uma legítima Big Trail com esta cilindrada. Realmente, mais uma momento que faço questão de registrar. Grande moto.
Serra, obrigado por esta oportunidade. E mais uma vez podes dizer que foi você que me fez conhecer uma Super Tenerê 1200. 

domingo, 1 de abril de 2012

Um Tributo a FALCON e Boas Vindas a TRANSALP

Iniciei neste mundo da moto viagem relativamente tarde. Mas a muito tempo acalentava o sonho de fazer algo, ao menos no entender da minha rede de convívio, "inusitado" (inusitado entre aspas, pois hoje sei que não é tão inusitado e tão pouco absurdo e difícil realizar grandes viagens de motocicleta). Foi assim que em 2007 comprei minha primeira motocicleta, mesmo sem saber andar de moto, e após me inscrevi em uma auto-escola, onde apreendi a pilotar (vamos admitir, sendo generoso com esta conclusão, que consegui apreender). Em Setembro de 2008, empreendi, sem muita segurança, junto com Adelaide (Santa e forte Adelaide, que teve a coragem de me acompanhar) nossa primeira grande viagem para Punta Del Este, no Uruguai, com o objetivo de nos testarmos e testarmos o equipamentos (E realmente foi um teste de fogo). A moto foi uma valente Falcon ano 2005, com seus já 13.000 km, batizada de Catarina. No retorno ela me deixou na mão, queimando a bobina, e atrasando minha volta em dois dias. Deus escreve certo por linhas tortas, pois, graças a este imprevisto, conheci uma das famílias mais queridas (João Serra, Mariângela e Lili), que já tive a honra de conhecer, justamente por estar na localidade da Quinta, município de Rio Grande, empenhado com nossa valorosa guerreira. Tudo isto relatei em um post em nosso blog, dedicado a esta primeira e incrível experiência de moto viagem. Após, dando seqüência a nossos planos de viagem, compramos nossa segunda Falcon, batizada de Catarina II, zero km (motivado especialmente pelo fato de querer viajar com uma moto que não gerasse dúvida = nada melhor que uma moto zero km), ano 2008, último ano de sua fabricação (Até hoje não entendi esta decisão da Honda, de interromper sua linha de montagem). Com somente 200 km rodados, fizemos com ela a nossa "Viagem ao Fim do Mundo", a Ushuaia, Torres del Paine, Perito Moreno, Bariloche e arredores e região dos vulcões no Chile, enfim uma viagem inesquecível pelos confins da Patagônia e Terra do Fogo (Nesta, vários tombos por conta do vento e do rípio, somados a minha até então inabilidade). Um ano depois, com esta mesma moto, conhecemos o Norte da Argentina, Chile (Atacama) e Peru (Cuzco, Machu Pichu e Nazca), viagem denominada de "Nas Asas do Condor: Uma Viagem ao Umbigo do Mundo" . Outra viagem maravilhosa, com esta valorosa Falcon (sem qualquer problema ou queda), da qual guardo um enorme respeito, carinhosamente chamada de Catarina II.
Mas chegou a hora de mudar e colocar em prática um sonho também a tempos acalentado, de melhorar e aumentar a cilindrada de minha moto. Muitas foram as opções analisadas (XT 660, V Strom 650, BMW 650 GS, Versys e Transalp), mas cresceu com o tempo a convicção de que a próxima moto deveria ser uma Transalp (Venceu com força a Transalp). Literalmente me apaixonei por ela, e nesta semana me despedi da nossa querida Falcon com dor no coração. Se pudesse guardaria ela como lembrança de sonhos realizados, para meu filho Artur. Mas as lembranças estão nas nossas mentes, nos relatos e nas fotos destes incríveis momentos que vivemos juntos.

Enfim, acabei por adquirir uma Transalp linda, ano 2012, na cor verde, com a qual desejo ser muito feliz e também dar continuidade a empreitadas de viagens e aventuras por este mundo. Fica aqui meu tributo as duas Falcon(s), tão importantes em nossas vidas.

Que a Catarina II, recém vendida, possa fazer seu próximo proprietário feliz e que ele nutra por ela o mesmo carinho que eu a tinha. Começo agora uma nova fase com esta "verdona", que ainda preciso batizar. 

Catarina (a primera Moto). Uma Falcon 2005 comprada com 13.000 km.

Catarina II (27.000 km pelas Rutas da américa do Sul). Falcon 2008, comprada nova (0 km)

Transalp 2012