terça-feira, 1 de maio de 2012

Viagem a Salto, Uruguai - 1° dia - 27/04/12

Convidado pelo amigo Serra, resolvi no último dia 27 de Abril viajar para a cidade de Salto no Uruguai. Lá estaria acontecendo um moto encontro organizado pelo clube local. Convidei o já grande parceiro de viagens e amigo Sherlei para a empreitada. Oportunidade de colocarmos nossas Transalp(s) na estrada, testá-las e também curtir alguns bons quilômetros de asfalto. Para mim o moto-encontro não é a finalidade de uma viagem, mas sim o mote para a mesma, pois o prazer desta função está em colocar a moto na estrada e em conhecer novos locais, fazer novas amizades e apreender com o caminho. O encontro é somente uma pequena parte de tudo isto.

Marcamos de nos encontrar no posto Charrua, aqui da cidade de Rolante as 07h30min. Tínhamos que abastecer as motos e calibrar os pneus, além da já tradicional foto que marca nossas partidas.

Em casa a difícil despedida em função do Artur e da Adelaide. Sempre um momento tocante e emocianante. Minha parceira de aventuras agora pilota na viagem de ser mãe e fica em casa com nosso lindo Artur. Para mim é dolorido deixá-los. Mas resolvemos assim, continuar as viagens, agora mais curtas, de 2 ou 3 dias para que a chama do motociclismo se fortaleça e seja um legado ao nosso filho, se assim ele quiser. Última pose para foto com o filhão e partida. Adelaide tentando disfarçar, mas chorando.

No posto, depois de toda a função, a saída foi tranqüila, embora, amarrada, pois acabamos partindo somente as 08h00min, tarde para quem teria que enfrentar 960 km e uma parada em Alegrete para revisão da recém comprada e zerada moto Transalp (Branca) do Sherlei.

Em Porto Alegre, coincidentemente pegamos a ponte do Guaíba novamente fechada, a exemplo de nossa viagem a Melo (Uruguai) em novembro passado (A propósito, estou devendo um relato a respeito desta viagem). Desta vez, espera curta de não mais de 10 min. O içamento da ponte é sempre um espetáculo gostoso de ser apreciado, por isto foi tranqüila a espera no local.

Liberados, seguimos forte pegando a BR 290, um tapete para o motoviajante. Estrada boa, com grandes retas, permitindo acelerar, além de um tráfego tranqüilo (relativamente intenso até a cidade de Cachoeira do Sul, dali em diante com pouquíssimo movimento). Primeira parada em Pântano Grande para esticarmos o esqueleto, esvaziarmos a bexiga e comermos um Pastel reforçado acompanhado de um café energizante, além é claro do abastecimento das motos.

Até Alegrete, ainda paramos em Caçapava do Sul para abastecimento e na entrada de Alegrete.

Alegrete nos recebe com Outdoors que reproduzem a música que acabou se transformando em um símbolo do Rio Grande do Sul, o “Canto Alegretense”. Linda letra, linda melodia, que vai sendo reproduzida quilometro a quilometro antes da chegada a cidade tema desta música, causando uma sensação de “raiz”, de nostalgia inexplicável ao viajante que chega a cidade, especialmente se for gaúcho e que ame e se orgulhe de sua terra e de sua gente. Um presente para quem chega a esta parte do estado. Parabéns aos responsáveis pela iniciativa de reproduzir a composição aos viajantes. Vale a pena reproduzir esta poesia ao leitor deste blog:

Não me perguntes onde fica o Alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e de violão
Pra quem chega de Rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de Uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhada no rio Ibirapuitã

Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduy

E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer
Como os potros vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer
E nos olhos vou levar o encantamento
Desta terra que eu amei com devoção
Cada verso que eu componho é o pagamento
De uma dívida de amor e gratidão

Letra de Antônio Augusto Fagundes e música de Euclides Fagundes

 

Já na cidade de Alegrete, localizamos a autorizada Honda (Rua Andradas, 958, Centro, fone: (55) 3421.2700), e fomos exemplarmente atendidos pelo Thales. Atendimento de primeira, super diferenciado, simpatia e prestatividade acima da média, o que fez com que ele e a revenda tenham sido premiados no ano passado com a terceira melhor autorizada em satisfação do cliente. Justíssimo. A propósito, fico pensando que se a revenda Spengler e o Thales conquistaram o terceiro lugar, como será o atendimento do primeiro e segundo lugar? A disputa deve ter sido parelha, pois não vejo retoques no atendimento e tão pouco algo à melhorar. Parabéns autorizada Honda Spengler e parabéns ao Thales (profissionais e seres humanos assim, hoje são artigos raros).

Aproveitamos o intervalo para contatarmos os colegas do SICREDI de Alegrete, Leandro, Superintendente desta cooperativa, o Thomás Gerente Regional Adm. Financeiro e a Cecimari, Gerente de RH. Colegas fantásticos, que nos receberam, como aliás de praxe por estes SICREDI(s) no Brasil, de uma forma que nos fez ter vontade de ficar por lá. Totalmente do bem estes colegas da equipe do Leandro. Obrigado pelo convívio. Mesmo que breve, para o Motoviajante sempre marcante.

Já tarde, 17:00 hs, partimos da simpática Alegrete e seguimos rumo a Quaraí. Para Salto, faltavam ainda aproximadamente 300 km e teríamos que ainda passar na emigração e tínhamos somente 1 hora ainda de sol. Aceleramos forte com o sol se pondo na BR 290, a caminho de Uruguaiana (estávamos vivendo o Canto Alegretense, pois vínhamos de Rosário ao Fim da tarde e tínhamos o sol como uma brasa que ainda arde) ofuscando nossa visão, mas ao mesmo tempo lindo, pelas sensações que gerava.

Alcançamos o entroncamento que nos leva a Quaraí, agora uma estrada mais estreita e com algumas curvas traiçoeiras que exigiam toda atenção dos pilotos. Chegamos ao “passo fronteiriço”, atravessamos a ponte do Rio Quaraí e fizemos na própria ponte de forma rápida os trâmites aduaneiros.

Ainda na cidade de Artigas, separada de Quaraí pelo Rio Quaraí, abastecemos nossas motos. A noite já havia chegado e tínhamos ainda 200 km de estrada desconhecida e conforme a informação não muito boa.

Seguimos viagem, no começo ainda se ambientando ao escuro e a estrada. A confiança com os quilômetros foi crescendo e acompanhados de uma meia lua em um céu estrelado e limpo iluminando a campanha Uruguaia, aceleramos rasgando a noite até a cidade de Salto. Linda noite, a propósito. O frio que nos acompanhou foi intenso e mesmo eu bem equipado com luvas para frio, congelei os dedos. O Sherlei sofreu mais, pois estava com luvas não apropriadas para este frio.

Encontramos facilmente, após pedirmos informações, o hotel Los Cedros, já reservado pela Manja, esposa do Serra. A cidade já nos impressionou positivamente. É a segunda maior do Uruguai com 200 mil habitantes, muito bem estruturada, simpática, com prédios antigos, ruas estreitas e arborizadas, praças bem cuidadas, emprestando um ar europeu ao local, bem ao estilo de Montevidéu ou mesmo Buenos Aires, guardando é claro as devidas proporções.

Chegamos as 21:00 hs e nos instalamos no bom hotel, já informados pela recepcionista que o Casal amigo Serra e Manja haviam ido jantar em um restaurante próximo.

Tomamos um bom banho quente, troféu de um motoviajante e fomos buscar um jantar consistente, pois o almoço foi um Cachorro Quente. No caminho encontramos o Serra e a Manja, já voltando do seu jantar. Cumprimentos, abraços e a felicidade do reencontro. Marcamos de tomarmos café juntos no dia seguinte lá pelas 8:00 hs.

Nosso jantar, um Chivito com uma chuleta muito bem passada (como sempre no Uruguai com pouco sal), acompanhada de uma gelada cerveja uruguaia Patrícia, outro troféu para os motoviajeiros que enfrentaram 960 km de estradas, enfrentando a noite fria, e o cansaço. Nada mais justo.

O efeito relaxante do banho e da ampola de 1 litro da ótima cerveja Patrícia, nos convidaram a um sono reparador. No dia seguinte, muitas histórias, e um tour pela belíssima Salto, relato este reservado para próximo post.
Obs: clique na imagem para que você tenha a galeria de imagens deste post;

Despedida da família, sempre difícil.

Duas Transalp(s), dois motoviajantes e quase 2.000 km pela frente

 Ponte do Guaiba sendo içada

Balsa, passando sob a ponte do Guaíba

 Em Pântano Grande, parada para o Pastel tamanho família

 Thales, especialista em bem atender, na autorizada Honda Spengler.

Os amigos do SICREDI de Alegrete, da esq. para direita, Leandro, Cecimari e Thomás


Chegando a ponte do Rio Quaraí, que divide os dois países

Já no Uruguai, na cidade de Artigas, no Passo Fronteiriço.